O Pesadelo

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando criança, Tim (Barry Watson) viu seu pai ser abduzido por um bicho-papão. Cresceu traumatizado, e agora terá que lutar contra o monstro que pretende levar, um a um, os seus amigos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/04/2005

Esqueça Sulley, o bicho-papão fofinho e bonitinho de Monstros S.A. O monstrengo de O Pesadelo só tem uma coisa em comum com o personagem da animação: ambos são risíveis, mas por motivos diferentes. Enquanto Sulley é colorido e engraçado, o outro bicho-papão é feio e sem propósito – só serve para se rir dele.

O Pesadelo tem produção de Sam Raimi, o diretor dos dois Homem Aranha e produtor de O Grito. Aparentemente sem ter nada no que investir, o cineasta resolveu bancar essa bobagem juvenil de baixo orçamento, baixa criatividade e qualidade nula dirigida por Stephen Kay (o mesmo da versão ruim de Get Carter – O Implacável, de 2000). O que começa com um clima até interessante se perde em inevitáveis gargalhadas que o filme proporciona.

O fator do medo aqui é causado pelo bicho- papão – aquele que ‘aterroriza’ as criancinhas. Quando Tim era uma criança ele tinha medo da criatura, embora seus pais tentassem provar que o monstro não existia. E não é que papai não sabia de nada? O menino descobre isso quando o pai é assustadoramente abduzido para dentro do closet. Anos depois, Tim (Barry Watson, de Tentação Fatal) é um rapaz reservado que mora numa grande cidade, longe de sua casa da infância. Todos atribuem o seu comportamento estranho ao fato do pai ter abandonado a família. Sua psicóloga insiste que essa fantasia do bicho-papão foi um artifício que ele inventou para punir o pai.

Talvez até houvesse algo plausível e no mínimo interessante se o roteiro seguisse por essa vertente. Mas não, aqui lida-se com um filme primário de horror meramente visual. Não há espaço para ambigüidades nem lógica.

A plausibilidade, aliás, estava de férias quando os três roteiristas conceberam este pesadelo. Mesmo filmes de horror necessitam de um mínimo de coerência interna para funcionar. Nenhum filme na história recente desafiou de forma tão desnecessária tempo e espaço como este. Um exemplo: como Tim consegue encontrar na sua casa abandonada uma geladeira que funcione e gelo para colocar na cabeça da amiga que sofreu um acidente?

O diretor, devoto de ângulos baixos e closes desnecessários, acredita que suspense se cria com Tim olhando para o vazio ou para dentro de um armário. Some a isso uma edição acelerada, cheia de ‘efeitos’ e trucagens que mais parecem luzes estroboscópicas de rave eletrônica, e o resultado é uma tremenda dor de cabeça após a sessão.

Este ano não tem sido muito bom – em termos de originalidade e sustos – para filmes de terror e suspense. Da banalidade de O Chamado 2 e O Grito à superficialidade de Vozes do Além, passando pelas bobagens de Amigo Oculto, O Pesadelo consegue se distinguir como o mais medíocre de todos. Tão manipulativo e incompreensível como a maioria dos filmes de terror dos últimos anos, O Pesadelo tem pelo menos uma coisa honesta: o título.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança