Brothers

Ficha técnica


País


Sinopse

Dois irmãos, Yannick (Nikolaj Lie Kaas) e o Michael (Ulrich Thomsen) são bastante diferentes. Yannick é o rebelde entre os dois, sem nunca se enquadrar num emprego nem num relacionamento. Michael é militar, casado, pai de dois filhos e profissional e filho exemplar. A vida dos dois sofre um solavanco quando Michael é convocado para uma missão no Afeganistão e desaparece em combate.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/12/2005

Uma das raras mulheres a saírem das fileiras do Dogma, movimento renovador iniciado por Lars von Trier, Susanne Bier mostra, neste seu segundo filme, uma perícia notável como diretora. Melhor ainda que seu primeiro filme a chegar ao Brasil, Corações Livres, este drama caracteriza-se pela densidade no retrato das emoções e conflitos de uma família e também abre uma janela muito atual para a participação de europeus em guerras em países muçulmanos – o que permite, aliás, repensar o neo-militarismo contemporâneo.

O eixo da família central está dividido entre dois irmãos, o rebelde Yannick (Nikolaj Lie Kaas) e o militar certinho e responsável Michael (Ulrich Thomsen). A história começa no dia em que o primeiro está saindo de um curto período na prisão, por ter provocado um acidente de carro – tipo de coisa que só deve dar cadeia mesmo na Dinamarca. Quem vai buscá-lo é o irmão que, apesar das diferenças entre os dois, procura manter o afeto em dia entre os dois.

Por trás dessa atitude protetora de Michael, arma-se também o jogo familiar, em que Michael será sempre o vencedor e Yannick, o perdedor – com o consentimento de ambos. O jogo continua assim até o dia em que Michael é convocado para uma missão no Afeganistão e desaparece depois de um acidente de helicóptero. Sem a sombra do irmão, Yannick muda seu roteiro de vida, descobrindo sua inexplorada responsabilidade e disposição para ajudar a cunhada, Sarah (Connie Nielsen), e proteger suas pequenas filhas (Sarah Juel Werner e Rebecca Logstrup).

Michael não morreu no acidente, porém. Mas a experiência que o aguarda no Afeganistão é bem traumática – um momento inesperadamente forte e violento no filme. O desdobramento desta experiência colocará em evidência a transformação dos dois irmãos, de uma forma admiravelmente sóbria e convincente. Não há exageros piegas, soluções excessivamente redentoras nem finais moralistas à vista. O tratamento da história é bastante delicado e intenso, ao mesmo tempo. Marca de uma boa diretora em progresso, cuja carreira dá vontade de seguir, além de torcer para que continue em evolução.

Neusa Barbosa


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