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Sinopse

Dois vigaristas, o produtor teatral Max Byalistock (Nathan Lane) e o contador Leo Bloom (Matthew Broderick), acham que um fracasso daria mais dinheiro a eles do que um sucesso na Broadway. Isso porque permitiria tirar a peça de cartaz depois de um único dia, deixando todo o prejuízo na conta dos patrocinadores.


À procura da pior peça possível, os dois encontram Franz Liebkind (Will Ferrell), que escreveu um musical sobre Hitler. Contrata-se o pior diretor da praça, Roger De Bris (Gary Beach), e a fórmula do desastre está montada. Mas há uma surpresa: o espetáculo vira sucesso. E agora?


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/12/2005

A história original é de Mel Brooks e deu origem a um filme dirigido por ele mesmo - Primavera para Hitler, de 1967 -, um musical na Broadway em 2001, em que os atores Matthew Broderick e Nathan Lane já tomavam conta dos papéis que agora vivem na segunda versão para o cinema (substituindo Zero Mostel e Gene Wilder, que fizeram o primeiro filme).

Para quem conhece a produção de 1967, a história de 2005 não apresenta surpresas – exceto o formato musical, o que exigiu a criação de novas canções (pelo próprio Brooks). Fora isso, tira-se partido das coreografias da diretora do musical na Broadway, Susan Stroman, que também conduz o novo filme. São especialmente competentes as seqüências do escritório com os infelizes contadores; as velhinhas com seus andadores; e a espetacular chegada de Ulla (Uma Thurman).

Sempre é arriscado visitar novamente uma história de sucesso, como foi o caso do filme de 1967. Mas o banho musical deu o toque renovador que faltava para rebobinar a trama em torno de dois vigaristas, o produtor teatral Max Byalistock (Nathan Lane) e o contador Leo Bloom (Matthew Broderick). Eles se unem depois da sugestão de Leo, de que um fracasso daria mais dinheiro do que um sucesso na Broadway. Isso porque permitiria tirar a peça de cartaz depois de um único dia de críticas demolidoras, deixando todo o prejuízo na conta dos incautos patrocinadores. Na verdade, uma legião de patrocinadoras, formada por velhinhas ricas e assanhadas, a quem Byalistock costuma prestar favores sexuais em troca de cheques polpudos para suas produções.

À procura da pior peça possível, os dois encontram Franz Liebkind (Will Ferrell), um neonazista que escreveu o texto Primavera para Hitler - nada menos do que uma reabilitação de Adolf Hitler em formato musical. Junte-se ao projeto o pior diretor da praça, Roger De Bris (Gary Beach), e a fórmula de um desastre está montada. Mas há uma surpresa pondo em risco todo o plano: o público adora.

Mel Brooks acredita no poder da provocação no humor. Começando pelo fato de que ele, um judeu, inventa uma história em que ninguém menos do que Hitler é reabilitado...Uma piada, é claro, mas de alto potencial polêmico. Fora isso, em sua história ele não esquece praticamente nenhum clichê étnico (particularmente contra alemães e suecos, como a sensual personagem de Uma Thurman) ou sexual (a trupe de gays do filme não podia ser mais histérica mas é hilariante).

Seus personagens são a mais completa encarnação da vulgaridade, do oportunismo, da desonestidade, da grossura, da ignorância, da falta de classe. Mas é precisamente por tudo isso que o filme funciona e com força nesta sua nova versão. Nestes quase quarenta anos que separam um filme do outro, o humor politicamente correto ocupou todos os espaços e muitos já se cansaram disso. Para quem acha que o estilo já deu mesmo tudo o que tinha pra dar, a provocação anárquica de Brooks & Cia. pode mesmo estar chegando em boa hora.

Neusa Barbosa


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