Paradise Now

Ficha técnica


País


Sinopse

Os amigos palestinos Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashef) são recrutados para fazer um atentado terrorista em Tel-Aviv. Depois dos últimos momentos com suas famílias e amigos, são deixados na fronteira com bombas amarradas a seus corpos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/01/2006

O assunto é controverso e o filme é tenso - por isso mesmo “Paradise Now já gera interesse. Além de ganhar um Globo de Ouro de Filme Estrangeiro, este foi o longa escolhido pela Palestina para representa-la na disputa por uma indicação ao Oscar na mesma categoria. Mostrando a últimas horas na vida de dois amigos que estão prestes a detonar uma bomba presa aos seus corpos, o diretor e roteirista Hany Abu-Assad opta por mostrar um registro mais emocional do que político do tema.

A política existe, mas como um pano de fundo. O roteiro (co-escrito por Bero Beyer e Pierre Hodgson) opta explorar um microcosmo, assim atingido o macro. Paradise Now caminha como um suspense crescente, com ritmo e tensão, tendo como subtexto as questões emocionais que cercam os personagens centrais. Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman) são grandes amigos desde a infância, trabalham juntos numa oficina mecânica e pertencem à mesma célula terrorista na cidade de Nablus.

Numa das primeiras cenas, a bela árabe Suha (Lubna Azabal, de Exílios) cruza um checkpoint a caminho de Nablus. Ela nasceu na França, mas foi criada no Marrocos, e é filha de uma família rica. Acaba conhecendo os dois amigos na oficina onde trabalham e logo surge uma atração entre ela e Said.

Porém, a paixão terá que ser deixada de lado quando Said e Khaled são avisados pelo dirigente de uma organização de guerrilha que foram escolhidos para serem os protagonistas de um ataque terrorista em Tel Aviv, em resposta ao assassinato de dois árabes.

Na sua última noite com a família (que não sabe de nada) Said consegue se encontrar com Suha, mas o resultado não é nada animador – pois eles acabam justamente discutindo.

Alguns dos momentos mais fortes do filme acontecem quando Said e Khaled são preparados para o ataque. Eles são banhados, barbeados, têm o cabelo raspado e recebem sua última refeição. Membros da organização têm as melhores respostas para as dúvidas dos amigos, como, por exemplo, que irão se encontrar com anjos assim que a bomba explodir.

Nesse processo todo de transformar homens em verdadeiras bombas, a voz de Suha emerge como um confronto emocional. “O que acontece com aqueles que ficam?”, pergunta a moça. Suas observações referem-se não apenas às famílias dos homens-bombas, mas principalmente ao círculo vicioso que o ataque terrorista cria.

Ao assistir a Paradise Now é possível fazer um paralelo interessante com outros filmes recentes, principalmente com Munique e Free Zone. Todos tratam de temas muito parecidos, mas com sensibilidades e resultados diferentes. Os três filmes são ótimos, cada um à sua maneira.

Alysson Oliveira


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