Clube da Lua

Ficha técnica


País


Sinopse

Os diretores de um clube popular fazem de tudo para lutar contra a falência e evitar que a associação seja transformada num cassino.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/03/2006

Qualquer país que tenha uma cultura cinematográfica forte não deixa de ter muito lixo comercial para apresentar. E a Argentina não foge à regra. O problema é que o brasileiro cinéfilo tem uma visão idealizada do cinema argentino, pois o que atravessa a fronteira é a exceção.

Sabendo disso, é importante entender como se pode ter uma visão mais crítica ao cinema desse país, sem se deslumbrar ou superestimar suas produções. Esse é o caso de Clube da Lua, um filme honesto do cineasta Juan José Campanella e protagonizada por Ricardo Alberto Darín, a dupla que tornou O Filho da Noiva um êxito. E é isso.

O filme apresenta uma série de irregularidades que podem incomodar o espectador. Sustenta-se em apenas dois pontos principais, no carisma de Darín e nos diálogos sarcásticos de Campanella, que assina o roteiro. É o humor argentino, ou melhor, portenho, destilado à máxima extração.

Se não houver interesse nesses dois fatores, sobra apenas uma obra quadrada, sem apreço pela estética e que, mais um vez, usa a eterna recessão argentina como personagem principal dos conflitos que envolvem os personagens. Crise e ditadura são temas tão presentes no imaginário da população do país que, se eles não são protagonistas das tramas, são, pelo menos, figurantes na cinematografia argentina.

Conta-se a história do Clube de Avellaneda, que já viveu dias melhores no passado, e de seus escassos sócios. O tal local era um grande centro de lazer para as famílias endinheiradas da década 60. No entanto, com as crises recorrentes no país, o clube está caindo aos pedaços e só não é embargado pela prefeitura pela luta incessante de um grupo de sócios-diretores, entre eles Román Maldonado (Darín).

Assim, a produção se baseia nesse saudosismo pelos tempos melhores do clube, que, na verdade, é uma transparente analogia com a vida dos personagens e com a própria história do país. Muito embora não se saiba quando foram os tempos gloriosos da Argentina, que cai a cada década em escandalosas crises políticas e nas seguintes em reviravoltas econômicas. Basta ler a história do país ou ver um documentário de Fernando Solanas, para dizer o mínimo.

Enfim, sobra muito pouco das quase três horas de duração do filme. Mas, sem dúvida, as poucas riquezas da produção salvam os espectadores desavisados. O elenco é competente o bastante para potencializar o roteiro do diretor-roteirista. E vale a pena ficar até o fim dos créditos, já que, são de praxe as brincadeiras finais de Campanella com os personagens. Mas é só isso.

Rodrigo Zavala


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Comentários:
  • 25/02/2015 - 15h20 - Por Alexandre Gostei da forma como a história do clube se desenvolve de forma semelhante à vida dos personagens... passa pelo ápice, entra em crise e busca soluções! Tem uma crítica em
    www.artigosdecinema.blogspot.com/2015/02/clube-da-lua-luna-de-avellaneda.html
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