A Última Profecia

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Crítica Cineweb

04/02/2003

Mothman pode ser um alienígena ou algum anjo-demônio vagando pela Terra, assim como um chupa-cabras ou o E.T. de Varginha. O homem-mariposa é o verdadeiro protagonista de A Última Profecia e, apesar de uma roupagem moderninha, é mais um thriller com roteiro mal-ajambrado que não consegue escapar do melodrama tão caro aos produtores de Hollywood.

Baseado em fatos reais, relatados em livro do co-roteirista John Keel, o filme tenta encontrar uma explicação para as visões de inúmeros habitantes de uma pequena cidade do estado americano de West Virginia, que antecederam um terrível acidente - a queda de uma ponte que vitimou dezenas de pessoas às vésperas do Natal.

Richard Gere interpreta um jornalista do Washington Post, John Klein, traumatizado com a morte prematura da mulher. Durante uma viagem, inexplicavelmente, vai dar com os costados em uma pequena chácara em Point Pleasant, distante mais de 600 km do seu destino de origem. E isto em apenas uma hora e meia de viagem. Um começo intrigante que sugere que o filme caminhará na mesma linha da cultuada série Arquivo X. Mas fica só na intenção.

Além da dor da perda, o jornalista herda alguns desenhos estranhos feitos por sua mulher, horas antes de morrer. Nesta sua estada na cidadezinha, ele encontrará outros idênticos feitos pela população local. Tudo devidamente arquivado na delegacia local. Mas existem outros fatos inexplicáveis além dos desenhos. Telefonemas estranhos, ruídos não identificados, sonhos, tudo acontece para intrigar cada vez mais o repórter, que deixa de lado seu trabalho no jornal para investigar o mistério.

John Klein se alia a policial Connie (Laura Linney, indicada ao Oscar de melhor atriz por You Can Count on Me) para desvendar os estranhos acontecimentos que rondam por ali. Com aqueles livros que sempre estão às mãos dos personagens de Hollywood, os dois encontram referência a um tal de Mothman (homem-mariposa), um ser extraordinário que sempre aparece em períodos imediatamente anteriores a grandes catástrofes. O jornalista vai ao encontro do escritor e, supostamente, especialista nesta criatura, o ex-professor universitário Leek, interpretado por Alan Bates.

Como Leek não pretende se envolver mais com estas histórias estranhas, Klein volta à cidade com um pouco mais de informação, mas tão atarantado quanto saiu. E tropeçando cada vez mais em fatos surreais, o protagonista vai se envolvendo com a policial. Se o filme já não caminhava bem até aí, o foco temático fica mais e mais difuso. Deixa de ser suspense, ou pelo menos perde muito da surpresa, para passar a um drama psico-romântico. Os dois heróis se envolvem emocionalmente, mas as forças ocultas fazem de tudo para atrapalhar. E Klein não sabe se continua a viver com a lembrança da esposa, alimentando suas neuroses, ou se joga tudo para o alto e tenta ser feliz com Connie.

Se os produtores, ao escolherem um bom elenco e uma história intrigante, tinham em mente um grande thriller, o diretor de O Suspeito da Rua Arlington (1999), Mark Pellington, tratou de lhes jogar um balde de água fria. O diretor abusa de imagens distorcidas para tentar assustar o espectador, mas só consegue fazer com que a platéia olhe aflita o relógio que teima em não andar mais rápido. Mesmo fazendo um filme absolutamente dispensável, Pellington pensa estar no mesmo nível de Alfred Hitchcock, fazendo inclusive uma ponta, como era costume do mestre do suspense.

Cineweb-4/10/2002

Ana Vidotti


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