Mais Estranho que a Ficção

Ficha técnica


País


Sinopse

Harold Crick é um metódico fiscal de imposto de renda. Todo dia segue a mesma rotina. Não tem amigos nem namorada. De repente, começa a ouvir uma voz feminina, que descreve tudo o que ele está pensando e o que vai fazer. Apavorado, pensa que está enlouquecendo. Aí descobre uma outra fantástica possibilidade, que envolve uma escritora (Emma Thompson) escrevendo sua vida.


Extras

- Atores à procura de uma história

- Montando o time

- Locação em Chicago

- Palavras em uma página

- A evolução de um efeito visual

- No set de filmagem

- Cenas excluídas e estendidas

- Trailers (sem legendas)


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/01/2007

Alemão radicado nos EUA, Marc Forster comprova merecer um lugar entre os jovens diretores mais talentosos desse país. Forster marcou seu território na selva de Hollywood com o áspero A Última Ceia, que deu o Oscar de melhor atriz a Halle Barry. Mudou de tom em Em Busca da Terra Nunca (2005), criando uma fantasia encharcada de poesia e humanidade ao explorar os bastidores da história de Peter Pan.

Em Mais Estranho que a Ficção, mais uma vez ele viaja pelos meandros da criação literária, contando com o roteiro altamente original de Zach Helm – um estreante em cinema, depois de poucas experiências em TV. A história de um fiscal de imposto de renda, Harold Crick (Will Ferrell), às voltas com uma voz feminina que não sai de sua cabeça, torna-se, em suas mãos, um veículo capaz de apertar os botões da imaginação do público. Como na primeira cena em que aparece a escritora Kay Eiffel (Emma Thompson, em atuação primorosa). No alto de um prédio, ela parece um anjo manipulando os destinos dos minúsculos mortais lá embaixo.

Sem poderes sobrenaturais, como se pode pensar a partir desta primeira impressão, Kay realmente tem poderes de vida e morte - pelo menos sobre Harold. Na verdade, ele nada mais é do que o protagonista do novo romance que ela está escrevendo, Morte e Impostos.

A maior qualidade da história é explorar vários caminhos inusitados pelos quais criador e criatura tentam se comunicar. Para isso, terão a mediação de vários intermediários. O principal deles, Jules Hilbert (Dustin Hoffman), um professor de teoria literária a quem Harold recorre, procurando uma explicação para a inquietante voz feminina que ouve e que descreve perfeitamente todas as suas ações e pensamentos antes que aconteçam.

Depois de descartar a idéia mais natural, de que Harold é maluco de pedra (coisa que dois psicólogos que ele procurou assinam embaixo), Hilbert coloca seus conhecimentos a serviço de sua investigação. Ou seja, dá elementos para que Harold tente descobrir a que tipo de história pertence sua vida. Especialmente se se trata de uma tragédia ou comédia.

Tudo indicava, pela vida monótona e insuportável de Harold, que ganharia a primeira alternativa. Mas depois que ele conhece uma irreverente padeira, Ana Pascal (Maggie Gyllenhaal), os acontecimentos incorporam um componente imprevisível.

A única personagem que parece não ter muita função mesmo é Penny (Queen Latifah), assistente enviada pela editora em pânico com o bloqueio criativo de Kay – que hesita sobre o final do livro e está perdendo todos os prazos.

É muito bom que o filme não se prenda a nenhum gênero em particular, brincando com as possibilidades e clichês de cada um. Permite, assim, que os espectadores cansados de mesmice saiam do piloto automático que às vezes os contamina depois de uma dieta de filmes muito repetitivos.

Muitos podem enxergar um parentesco da história com Adaptação, roteiro de Charlie Kaufman. O que não é despropositado. A vantagem é que Mais Estranho do que a Ficção mostra-se mais fluente e mais encharcado de humanidade. Estes personagens são bem mais reais do que no roteiro de Kaufman, mesmo que a premissa seja da mais pura fantasia.

Merecidamente, o filme venceu o prêmio de melhor roteiro da National Board of Review e teve uma indicação ao Globo de Ouro, de melhor ator de comédia/musical para Will Ferrell - que aqui abre mão totalmente de seus recursos histriônicos, dos quais ele abusa em comédias como Um Duende em Nova York.

Neusa Barbosa


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