O Hospedeiro

Ficha técnica


País


Sinopse

Graças ao lixo químico despejado por uma empresa norte-americana no esgoto de Seul surge um monstro mutante e sanguinolento. A criatura começa a sua matança pelas ruas da cidade até que um grupo de pessoas se une para destruí-lo.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/05/2007

Vítima de seu próprio sucesso, o gênero conhecido como kaiju tornou-se, nas últimas décadas, um verdadeiro bufão do cinema fantástico. Trata-se de um estilo consagrado por filmes japoneses como Godzilla (1952), em que uma criatura metamórfica de proporções colossais aniquila cidades inteiras, enquanto sua população impotente assiste a tudo com um desespero aterrador.

A linha foi seguida, no entanto, por uma série de títulos poderosamente ruins, que brincavam com as hipóteses mais catastrofistas dos efeitos nocivos da poluição, principalmente a radioativa. Todos os insetos e répteis (in) cabíveis foram utilizados nessas anedóticas produções: formigas, aranhas, baratas e até crocodilos tornaram-se gigantes monstros em férteis roteiros.

Em décadas de bobagens sucessivas, eis que estréia uma surpresa vinda da Coréia do Sul: O Hospedeiro, do diretor Bong Joon-ho, provando que o país tornou-se uma seara de novos talentos. Com um afinado elenco e excelentes efeitos especiais, o filme consegue equilibrar com sutileza competente o drama, o terror e a comédia (que nos outros era involuntária), sem cair no exagero ou na incoerência – apesar do tema complexo.

A história é centrada no aparecimento de uma criatura monstruosa, produto da irresponsabilidade de funcionários de uma base do exército americano em Seul, que atiram no esgoto todo o tipo de material contaminado. Como em várias metrópoles, todos esses dejetos vão diretamente para o rio local, neste caso o Han, onde nasce o tal monstro, híbrido de peixe e réptil.

No entanto, o filme não está focado no monstro colossal, e sim no trapalhão irresponsável Gang-Du (o excelente ator Kang-ho Song), em sua filha Hyun-seo, e o avô Hie-bong, que trabalham em um quiosque de aperitivos e bebidas às margens do Han. Serão eles, ao lado dos dois irmãos de Gandg-Du (um fracassado executivo e uma arqueira olímpica sem sucesso), que despertarão o interesse do espectador.

Quando a tal criatura emerge das águas, na melhor cena de ação do filme, depois de dizimar metade da população local, captura a jovem Hyun-seo e a leva para as profundezas do poluído Han. Apesar da lógica e competência estarem longe das características pessoais de Gang-du, e mesmo de sua família, ele tem certeza que a filha está viva e parte em seu encalço.

Os personagens são bem construídos, o que dá um vigor à trama. Kang-ho Song consegue roubar todas as cenas, mesmo aquelas em que contracena com um monstro de 30 metros de altura. O timming perfeito para o humor, sintonizado aos apelos dramáticos que a trama exige, suaviza o lado estapafúrdio da história e torna o protagonista um herói sensível e humano.

O filme é crítico sem ser panfletário. Joon-ho consegue, entre os demais fatores positivos de seu roteiro, impetrar uma adequada opinião sobre a esquizofrênica e pedante política internacional norte-americana a países em desenvolvimento. Mais uma vez, a idéia de irresponsabilidade parece latente nas ações do exército americano, que tenta resolver o estranho caso protagonizando os piores papéis. Ao mesmo tempo, deixa um recado preciso sobre o caos ambiental anunciado ultimamente nos mais diversos meios – longe do maniqueísmo incensado pela mídia.

Embora seja claramente uma obra menor, sem qualquer presunção e para poucos, O Hospedeiro é um desses poucos filmes em que o entretenimento vem acompanhado de doses maciças de apelo consciente. A produção configura-se dessa forma para um público – que gosta de filmes fantásticos, na linha kaiju – carente dessas qualidades.

Rodrigo Zavala


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