O Despertar de uma Paixão

Ficha técnica

  • Nome: O Despertar de uma Paixão
  • Nome Original: The Painted Veil
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Drama
  • Duração: 125 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: John Curran
  • Elenco: Edward Norton, Naomi Watts

País


Sinopse

Em meados dos anos 20, o bacteriologista Walter Fane (Edward Norton) apaixona-se pela rica e mimada Kitty (Naomi Watts). Casam-se mas, tempos depois, ela se cansa dele e o trai. Walter descobre e vinga-se dela aceitando o convite para trabalhar numa pequena aldeia na China, assolada por uma epidemia de cólera. A princípio, reina o ódio entre os dois. Mas a realidade exterior ensina a um e outro novos valores.


Extras

- Slide Show (com áudio)

- Novidades

- Trailer


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/06/2007

O ator e diretor Edward Norton batalhou seis anos para tirar do papel o projeto de refilmar o romance O Véu Pintado, do escritor britânico Somerset Maugham, atualizando a versão de 1934, estrelada por Greta Garbo. Nicole Kidman deveria juntar-se ao projeto, mas finalmente a honra coube a outra atriz australiana, Naomi Watts. O resultado, dirigido por John Curran (de Tentação), está à altura do esforço da equipe, da qual foram pioneiros o roteirista Ron Nyswaner e a produtora Sara Colleton.

Extrair o melhor da literatura está entre as maiores façanhas que o cinema pode alcançar. E isto é conseguido aqui em função do esplêndido trabalho do roteirista e da peculiar entrega dos protagonistas, Norton e Naomi.

Ambientada entre a Inglaterra e especialmente a China dos anos 20, a história alimenta-se da síndrome de Othello que se apossa do delicado bacteriologista Walter Fane (Norton) depois do adultério de sua mulher, Kitty (Naomi) com um vice-cônsul em Xangai, Charlie Townsend (Liev Schreiber).

Enfurecido pelo caso e decidido a infernizar a vida da mulher, numa época em que um divórcio a expunha a riscos e difamação hoje inexistentes, Walter aceita o convite para trabalhar em Mei-tan-fu, uma remota aldeia chinesa. E arrasta consigo a esposa, numa verdadeira expedição punitiva que tem o caráter de um pacto de morte, já que se trata de uma região assolada por uma mortal epidemia de cólera.

No brutal isolamento desta região desprovida das mínimas condições de higiene, o casal instala-se na única casa disponível, em que a família ocupante acaba de morrer da doença. Ao chegar, com os corações mutuamente feridos e a raiva à flor da pele, os dois alimentam dentro das quatro paredes uma guerra surda, que não é compreendida pelos criados chineses.

Quem enxerga o indício desse conflito, também sem desvendá-lo inteiramente, é o único britânico da região, o comissário Waddington (Toby Jones, o Capote de Confidencial). Adaptado ao meio, com uma amante chinesa, e muito pragmático em relação aos limites da autoridade ocidental que exerce, Waddington constitui um contraponto à insanidade que governa o relacionamento do casal e à obsessão quase suicida com que Walter se entrega ao trabalho.

Realidades, porém, se impõem acima da vontade das pessoas. Walter vai experienciar os limites de seu idealismo confrontado com as crendices dos camponeses e a crescente animosidade contra os ocidentais. Kitty, por sua vez, é desafiada a despojar-se de sua aura de moça mimada, ajudando a madre superiora (Diana Riggs) na missão de cuidar dos inúmeros órfãos locais. E isso muda toda a perspectiva pela qual Walter e Kitty enxergam também um ao outro.

Se há um aspecto em que o filme acerta é em não facilitar esse processo de crescimento dos dois protagonistas, preservando a autenticidade de sua face humana. Outro aspecto positivo é relativizar o poder da cultura ocidental e da religião cristã, que procuram impor-se numa China que resiste cada vez mais ao colonialismo, em busca de sua própria autonomia.

Por tudo isso, O Despertar de uma Paixão, apesar do nome grandiloqüente que visa atrair platéias, não é um melodrama qualquer. Seu padrão de qualidade excede muito o que se costuma ver por aí sob esse rótulo. O filme emociona sem jogar baixo contra a sensibilidade e a inteligência.

Neusa Barbosa


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