Possuídos

Ficha técnica


País


Sinopse

Agnes White (Ashley Judd) leva uma vida sem muitas alegrias, mergulhada numa tristeza desde que perdeu seu filho pequeno. Quando conhece o ex-soldado Peter (Michael Shannon), abrem-se as portas de uma assustadora paranóia.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/08/2007

O título que o novo filme de William Friedkin ganhou no Brasil, Possuídos, tenta pegar carona no maior sucesso do diretor, O Exorcista (1973). Mas Possuídos passa muito longe do sobrenatural. O horror aqui é completamente psicológico, mais ligado à paranóia do que à possessão demoníaca.

O roteiro foi escrito pelo ator e dramaturgo Tracy Letts e não esconde suas origens teatrais. Porém, o diretor tira bom proveito disso que poderia ser uma limitação nas mãos de outro. Praticamente o filme todo passa-se dentro do quarto de um hotel de beira de estrada, onde poucos personagens mergulham num abismo assustador.

Ashley Judd (De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter) poucas vezes viveu antes um papel de tanto impacto. Ela é Agnes White, uma mulher solitária que vive presa um trauma do passado, o desaparecimento de seu filho pequeno num supermercado, praticamente diante de seus olhos. A instabilidade emocional da personagem torna-se mais profunda quando ela conhece Peter (Michael Shannon), um ex-soldado também cheio de problemas.

Depois de algum tempo com Agnes, Peter começa a falar de um inseto (bug, que é o título original do filme) que alega ter sido colocado em seu corpo quando ele servia ao exército norte-americano no Oriente Médio. Aos poucos, os dois personagens vão se entregando a uma paranóia, acreditando que minúsculas e invisíveis criaturas estão consumindo seus corpos.

Apesar de secundário, o personagem do ex-marido de Agnes, Jerry Goss (Harry Connick Jr.) contribui para aumentar a tensão em suas visitas, adicionando um elemento agressivo e assustador.

Possuídos é um filme intenso e claustrofóbico. Apesar de limitado praticamente apenas ao quarto do hotel, o cenário modifica-se, acompanhando a loucura dos personagens, até chegar a seu terceiro ato no auge da paranóia, quando o cômodo todo recoberto de papel alumínio mais parece uma instalação artística.

O bom trabalho dos atores é igualmente essencial para este clima. Shannon participou da montagem da peça em Nova York e em Londres, e é geralmente ele quem dita o ritmo da ação.

Friedkin, depois de alguns filmes bem abaixo de seu potencial, como Caçado (2003) e Regra do Jogo (2000), volta ao nível de sua melhor fase na década de 1970, quando realizou trabalhos como O Exorcista e Operação França (1971). Aqui, numa produção independente, livre da pressão de grandes estúdios, encontra bons parceiros em Franco-Giacomo Carbone e Frank Zito, que assinam o desenho de produção.

Alysson Oliveira


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