A Via Láctea

A Via Láctea

Ficha técnica


País


Sinopse

Heitor e Júlia são namorados e brigam pelo telefone. Arrependido, ele pega o carro e vai em busca da amada. O trânsito caótico de São Paulo é o maior empecilho para o casal. Enquanto tenta chegar até a moça para fazer as pazes, ele recorda a história deles.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/11/2007

Formada em música nos EUA, a diretora paulistana Lina Chamie costuma sempre dedicar grande atenção ao assunto em seus filmes. Foi assim em seu longa de estréia, Tônica Dominante (2000), em que a música percorria todo o enredo do filme, interferindo em seus sentimentos e histórias pessoais.

A inspiração musical repete-se em A Via Láctea, que abriu a Semana da Crítica, uma das principais seções do Festival de Cannes, em maio de 2007. Neste novo trabalho, a trilha sonora inclui desde clássicos como Schubert, passando pelo pop e até melodias do desenho Tom e Jerry.

Heitor (Marco Ricca, de O Invasor) é um professor universitário que briga ao telefone com sua namorada Julia (Alice Braga, de Cidade Baixa) por causa de uma bobagem, e acaba sugerindo que ela procure um outro homem (Fernando Alves Pinto). Arrependido, o protagonista não consegue telefonar para a moça e acaba cruzando a cidade de São Paulo em meio a um trânsito caótico de hora do rush para fazer as pazes.

Enquanto tenta fazer esse trajeto, Heitor repassa a sua história com Alice. Eles se conheceram numa peça teatral. Ela pensava em ser atriz, mas acabou tornando-se veterinária. A diferença de idade e de interesses algumas vezes também foi causa de brigas entre o casal.

O filme procura um diálogo com outras artes. Nele, pode-se encontrar a pintura (na fotografia), a escultura (nas formas da cidade de São Paulo), a poesia (Drummond, Manuel Bandeira), o teatro e a dança (ambos numa cena com o Teatro Oficina), além da citada moldura musical.

Combinando trilha sonora e imagem, Lina cria seqüências memoráveis, como um jogo de esconde-esconde e sedução entre Heitor e Julia nas prateleiras de uma livraria ou um pedido de casamento no topo de um edifício no centro de São Paulo.

Trabalhando com a justaposição de imagens e sons, a diretora não tem medo de ousar, ou de colocar momentos de silêncio absoluto depois de um som ensurdecedor. Assim, ela também procura despertar os sentidos do público.

São Paulo é uma personagem do filme, com seus habitantes e suas peculiaridades, como a avenida Paulista com o trânsito parado, as pessoas que vêm e vão sem se dar conta umas das outras e o colorido que tenta vencer o cinza do concreto. E tudo aquilo que parece não fazer sentido na narrativa, que trabalha com idas e vindas no tempo, explica-se nos minutos finais, com muita astúcia, aliás.

A maior parte do filme foi feita em digital, com uma pequena câmera, que permitiu que a agilidade necessária para transitar pelas ruas e capturar flagrantes. Além disso, Lina fez questão de compartilhar o resultado do filme no final, mantendo nos créditos a inscrição ‘um filme de’ enquanto os nomes dos atores e técnicos vão subindo na tela.

Alysson Oliveira


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