People - Histórias de Nova York

Ficha técnica

  • Nome: People - Histórias de Nova York
  • Nome Original: The Great New Wonderful
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: EUA
  • Ano de produção: 2005
  • Gênero: Drama
  • Duração: 87 min
  • Classificação: Livre
  • Direção:
  • Elenco: Maggie Gyllenhaal

País


Sinopse

Um ano após os atentados do 11 de setembro de 2001, vários novaiorquinos de diferentes idades e profissões procuram levar adiante suas vidas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/11/2007

Um ano depois dos atentados contra o WTC, Nova York é, mais do que nunca, uma cidade repleta de gente traumatizada, frágil, agressiva, solitária. O filme de Danny Leiner, um experimentado diretor de séries de TV, cria uma abordagem um tanto fragmentada destas histórias, que visam localizar o sentimento geral. Há um mal-estar difuso na cidade, após a morte daquelas quase 3.000 pessoas.

Um casal (Judy Greer e Thomas McCarthy) procura cuidar do filho, menino de 9 anos, obeso, mimado, intratável. Bate nos colegas na escola, refugia-se num mundo particular de fantasia em casa. Os pais não conseguem lidar com ele. O menino não melhora nem com terapia três vezes por semana e todas as boas palavras de pais e professores.

Não muito longe dali, um homem (Jim Gaffigan) fala com o terapeuta (Tony Shaloub), sem conseguir dizer o nome de sua dor. A mulher o deixou, os pais não o visitam, ele conhece pessoas que morreram no 11 de setembro. Ainda assim, insiste que está tudo bem. O terapeuta o provoca no limite da exaustão, puxando por uma raiva que sente estar escondida.

Muitos destes novaiorquinos, como retratadas pelo filme, são basicamente movidas a raiva. Como Emme (Maggie Gyllenhaal), uma confeiteira de bolos que sonha com chegar ao topo, mas tem pela frente a número um do ramo, Safarah Polsky (Edie Falco). Emme trata os subordinados como uma sinhazinha e tem com o marido um relacionamento vazio, sem ternura, sem paixão, levado apenas por um obscuro desejo de sucesso e status, que nunca é satisfeito.

Entre os mais velhos, a pressão maior é a solidão, a incomunicabilidade, como a que abala Judy (Olympia Dukakis) e o marido. Trancados num apartamento, eles mal se falam. Ela se tranca na cozinha, recortando figuras para suas colagens, enquanto ele assiste televisão, come seu jantar e derruba o garfo no prato para que ela saiba que ele terminou e venha recolher a louça. Sem trocarem uma única palavra. Fica-se sabendo depois que Judy pode ser muito diferente quando ela reencontra um velho amigo de infância (Dick Latessa) e descobre que ele viveu uma vida intensa e criativa, que passou pela Itália e ainda encontra muitos motivos para sorrir.

Dois motoristas e seguranças de origem hindu (Naseeruddin Shah e Sharat Saxena) compartilham um cotidiano que revela a enorme capacidade desta cidade gerar eventos freqüentados por verdadeiras multidões e cujo funcionamento depende tanto de pessoas praticamente invisíveis, como eles. Que têm sonhos miúdos, frustrações, fantasias e culpas.

Todos os personagens um dia se cruzam num elevador, o que dá a justa medida de como a metrópole une e desune seus habitantes – pelo mero, simples, irresistível, às vezes terno, às vezes trágico acaso. A vida é curta, mas não necessariamente banal.

Neusa Barbosa


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