Lady Chatterley

Ficha técnica

  • Nome: Lady Chatterley
  • Nome Original: Lady Chatterley
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2006
  • Gênero: Drama
  • Duração: 168 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

País


Sinopse

Connie Chatterley (Marina Hands) é a mulher negligenciada de um nobre inválido (Hippolyte Girardot). Um dia, ela conhece o guarda de caça da sua propriedade (Jean-Louis Coulloc'h). Os dois começam a ter um caso extraconjugal que muda suas vidas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/11/2007

A diretora francesa Pascale Ferran conseguiu um grande feito com Lady Chatterley: fazer um filme de época com uma leitura contemporânea.

Diretores que se arriscam nesse tipo de filme muitas vezes caem numa mesma armadilha, fazer um filme preso ao passado, o que o torna pesado e quase sempre desinteressante. Esse drama francês vai na contramão do estereótipo. Adaptado de uma segunda e menos conhecida versão do romance O Amante de Lady Chatterley, do inglês D. H. Lawrence, o longa prima pela leveza, sem cair numa abordagem rasa.

A diretora francesa reencontra o frescor do livro publicado na década de 1920, que chegou a sofrer um processo por obscenidade. Na Inglaterra, só foi liberado na década de 1960. Até então, só era encontrado ilegalmente.

Diferente da versão mais popular do romance de Lawrence, aqui o foco se fecha na personagem central – tanto que no título do filme nem há a palavra “amante”. Constance (Marina Hands, de As Invasões Bárbaras) é uma jovem aristocrata casada com um marido inválido (Hippolyte Girardot, de Paris, Te Amo), que lhe dá pouca atenção e prefere cuidar de seus negócios com mineração.

Durante um passeio por sua propriedade, Lady Chatterley conhece o novo guarda de caça da propriedade, Parkin (Jean-Louis Coulloc'h). Se no princípio há uma estranheza entre os dois, deixando as distinções sociais prevalecerem, com o tempo o relacionamento se transforma em amizade e, posteriormente, num romance.

Longe de limitar-se ao seu aspecto erótico, esse envolvimento tem um papel fundamental para que os dois personagens definam suas próprias identidades. Nesse sentido, Lady Chatterley é abertamente feminista, ao trazer ao centro o ponto de vista e as sensações de Constance.

Das seis adaptações do livro para o cinema e televisão, aliás, esta é a única até agora dirigida por uma mulher – o que faz uma grande diferença na compreensão da protagonista. Lady Chatterley lida francamente com o despertar sexual da personagem, pelas mãos de Parkin.

A diretora mostra com clareza e sutileza como a atração sexual muda a percepção que Constance e Parkin têm do mundo e de si mesmos. Se os personagens nem sempre conseguem encontrar palavras para explicar sua experiência, a diretora traduz isso em imagens. Cenas da natureza, flores em especial, têm um significado importante nas descobertas dos amantes.

Ao adaptar o romance de Lawrence, Pascale redescobre a obra literária, restaurando uma vitalidade que se perdera com o tempo. O longa ganhou cinco prêmios César na França em 2006 – melhor filme, roteiro, fotografia, figurino e atriz.

Alysson Oliveira


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