Onde Os Fracos Não Têm Vez

Ficha técnica


País


Sinopse

Um homem simples (Josh Brolin) acha um dia uma mala contendo dois milhões de dólares, ao lado de uma porção de cadáveres. Ao levar o dinheiro, ele coloca em seu rastro um velho xerife (Tommy Lee Jones) e um implacável assassino (Javier Bardem).


Extras

- Making Of

- Trabalhando com os irmãos Coen

- Diário de um Xerife


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/01/2008

Na gigantesca paisagem do Texas, o homem aparece minúsculo diante da natureza. Mas é outra espécie de natureza que mais assusta, a humana. Como de costume na obra dos irmãos Coen, humor negro e meandros obscuros da alma andam de mãos dadas. Eles nunca exploraram isso tão bem como aqui – seu melhor filme desde O Homem Que Não Estava Lá.

O roteiro, também assinado pela dupla, parte do romance Onde Os Velhos Não Têm Vez, do norte-americano Cormac McCarthy, considerado um dos melhores escritores em atividade dos Estados Unidos. Porém, o filme é um caso raro daqueles que superaram a sua fonte, resultando em uma obra de complexidade e identidade próprias. O que não é de se estranhar vindo dos irmãos Coens, que têm em seu currículo filmes como Fargo e E Aí Meu Irmão, Cadê Você?.

Na fronteira do Texas, região do Rio Grande, grande território vazio e inóspito, um sujeito comum chamado Llewelyn Moss (Josh Brolin, Planeta Terror) encontra uma picape cercada de corpos, com US$ 2 milhões e uma grande quantidade de heroína.

Existem fatos que vão além da nossa compreensão e, o que é pior, do nosso domínio. Moss nem desconfia que ao pegar do dinheiro desencadeará uma série de acontecimentos que poderão culminar em sua ruína. Essa atende pelo nome de Anton Chigurh (Javier Bardem, de O Amor nos Tempos do Cólera), um assassino sem escrúpulos ou limites.

A terceira peça desse jogo é o Xerife Ed (Tommy Lee Jones, de No Vale das Sombras), a voz da razão nesse inferno povoado por homens sem escrúpulos. Ele está prestes a se aposentar, por sentir que, em sua idade, não têm mais muita chance neste mundo. Este poderá ser seu último caso antes do adeus à profissão, a mesma, aliás, de seu pai e avô.

São três personagens cujos caminhos se cruzam por conta da transação malsucedida que resultou na matança encontrada por Moss e posteriormente por Ed. Já Chigurh não mede esforços para ir atrás daquilo que julga ser seu e foi roubado. Isso significa dizer que absolutamente ninguém fica em seu caminho – aparentemente, ninguém sobrevive a um encontro com esse homem, é bom dizer.

O tom adotado em Onde os Fracos... é o de um apocalipse eminente, no qual aquilo que parecia manter o mundo em órbita, a lei e a ordem, estão deixando de existir. Esse é o pano de fundo deste fluido pessimismo que impregna todo o filme.

Dizer que o espanhol Bardem – indicado ao Oscar de coadjuvante por esse trabalho – interpreta o assassino é subestimar o ator. Ele parece vestir Chigurh como uma segunda pele. Seu olhar sempre parado, seu corte de cabelo engraçado e suas atitudes imprevisíveis, aliados ao impecável sangue frio, transformam-no numa das figuras mais assustadoras do cinema dos últimos tempos. Essa interpretação já lhe rendeu diversos prêmios, como o Globo de Ouro e o do Sindicato dos Atores da América, e o coloca como favorito para o da Academia.

O tom comicamente sério dos filmes dos Coen encontrou na obra de McCarthy uma profundidade muito bem-vinda abordando uma história tipicamente norte-americana de ambição desmedida. São meandros obscuros da natureza humana que nem a grandiosidade das paisagens texanas consegue destruir.

Alysson Oliveira


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