Uma Lição de Amor

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Crítica Cineweb

12/02/2003

Não dá para dizer que aqui se está diante de uma história original. Homem com a maturidade emocional de uma criança de 7 anos, o garçom Sam Dawson (Sean Penn), fica com um bebê, deixado para trás por uma homeless grávida a quem deu abrigo em seu minúsculo apartamento. Sete anos depois, a menina Lucy Diamond (Dakota Fanning) cresceu e tornou-se uma gracinha, inteligente, meiga e muito apegada a esse pai que não tem a menor condição de acompanhar seu desenvolvimento passo a passo.

Daí, só falta um elemento para deflagrar o que, já se sabe, dará origem a mais um drama de tribunal típico de Hollywood. Ou melhor, dois elementos. O primeiro é o incidente que vai colocar alguém tão pacato como Sam na mira da lei. Seu azar ocorre quando ele é assediado por uma prostituta e, sem entender direito o que está se passando, acaba numa delegacia. Lá, uma assistente social (Loretta Devine) acha a pista da pequena Lucy e torna-se a parceira ideal para que um rígido promotor (Richard Schiff) dê início a um processo em que Sam pode perder a guarda da menina para pais adotivos.

Agora, é a hora da entrada em cena do advogado de defesa. Acaba sendo uma advogada rica e poderosa, Rita Harrison (Michelle Pfeiffer), quem abraça a causa de Sam, mais por uma série de acasos do que por generosidade autêntica. A próxima etapa dentro do previsível desenrolar da história é a inversão de papéis que permitirá que Rita, confrontada com problemas no casamento e no diálogo com seu próprio filho pequeno, tire partido da convivência com a enorme ternura e a lógica limitada de Sam.

Como se vê, não há nada de extraordinário neste pequeno filme da diretora e roteirista Jessie Nelson (de Corinna - Uma Babá Perfeita), exceto um detalhe: a interpretação dos protagonistas Sean Penn e da revelação Dakota Fanning. Embora não seja nenhuma surpresa, é difícil resistir a uma entrega e comprometimento tão absolutos quanto os que Penn demonstra por seus personagens, e que parece mais nítido ainda neste, um ser frágil diante de um mundo em que todos os mecanismos de funcionamento escapam de seu controle a cada minuto. Penn recobre um personagem que teria tudo para ser apenas unilateral de uma humanidade que vibra em todos os instantes em que se permite ao ator o comando do ritmo da cena. Ao seu lado, a menina Dakota reage à altura, fazendo muito mais do que caras e bocas, mesmo que seu rosto de anjo tenha o poder de garantir-lhe simpatia à primeira vista.

Por essas interpretações impecáveis, somadas ao trabalho como sempre competente de Michelle Pfeiffer, o filme escapa ao menos de ser piegas demais, embora pudesse ambicionar a ser um pouco mais polêmico. Acima do bem e do mal, pontua o clima afetivo uma trilha especialmente inspirada, toda composta de canções dos Beatles - objeto de uma verdadeira devoção por parte do protagonista Sam, a começar pelo nome da filha - , só que em versões de outros cantores e músicos. You've Got to Hide Your Love Away, por exemplo, vibra na voz densa de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, e o duo formado por Aimee Mann e Michael Penn (irmão de Sean) iluminam de forma especial o brilho delicado de Two of Us.

Cineweb-22/3/2002

Neusa Barbosa


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