Beatles - Os Reis do Iê-Iê-Iê

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Crítica Cineweb

13/02/2003

Na época em que foi rodado, em 1964, o musical Beatles - Os Reis do Iê-iê-iê teve um orçamento modesto (cerca de US$ 500.000, uma ninharia já naquele tempo) e um prazo de filmagens mais estreito ainda - cerca de seis semanas e meia, o que obrigou John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr a correrem como loucos, realmente, para dar conta do serviço.

O motivo de tanta pressa e economia era simples: os executivos da United Artists, a produtora do filme, achavam que os Beatles seriam um fenômeno passageiro, cujo sucesso não passaria de um mês. Trinta e seis anos depois, este tremendo erro de avaliação pode ser motivo de piada e comemoração. O musical foi um marco que assinalou o início da ascensão irresistível dos quatro rapazes de Liverpool e o diretor Richard Lester ganhou fama pelo capricho de seus ângulos e movimentos de câmera para filmar os números musicais - a tal ponto que o filme é considerado um precursor do videoclipe. Fora isso, o relançamento do musical nos EUA já faturou, em dois meses, quase US$ 1 milhão - um feito, se se levar em conta a alta porcentagem das platéias atuais que nem tinham nascido quando os Beatles reinavam absolutos. Sem contar que o filme é em preto-e-branco.

Independente dessa paternidade dos videoclipes que atualmente inundam os canais de TV, alguns exclusivos deles, uma coisa é certa - raramente se vê, hoje, um grupo de artistas que pareça tão claramente estar se divertindo tanto com o trabalho quanto os Beatles aqui. É um humor infantil e ingênuo, visto pelos olhos de hoje. As brincadeiras em que se engajam John, Paul, George e Ringo são coisa de moleques, mesmo. Eles são vistos a bordo de um trem, na companhia do "avô" de Paul (o ator Wilfrid Brambell) a caminho de algumas gravações e shows, oportunidades para que cantem algumas daquelas canções inesquecíveis como She Loves You, Cant't Buy Me Love, And I Love Her e a canção-título (do original inglês) A Hard Day's Night - nome, aliás, que se deve a Ringo, o Beatle mais modesto e cujo generoso narigão é impiedosamente gozado pelos colegas dentro do filme. Nos anos 60, essa história de correção política ainda não existia.

Toda a brincadeira que há está dentro da tela, porém. O relançamento americano do filme, no ano passado, foi precedido de uma seríssima campanha de marketing visando, justamente, ressuscitar a memória dos Beatles que hoje são apenas três - John Lennon, o mais influente deles, morreu assassinado em Nova York há 20 anos. A cópia relançada agora teve suas imagens totalmente restauradas e o som remixado digitalmente, dando ao público de hoje a oportunidade de ver ou rever o trabalho com uma qualidade inédita.

Falando em som, a gravadora Capitol engajou-se numa campanha do mesmo tipo para habituar os ouvidos das platéias modernas aos sucessos de 1964 a 1970 que fazem parte do álbum "1" - que atingiu a cifra de 5,8 milhões de unidades vendidas de novembro de 2000 até meados de janeiro de 2001 só nos EUA. Fora isso, cerca de 20 milhões de unidades do mesmo disco foram despachadas a diversos outros países do mundo no mesmo período de apenas nove semanas. Números que mostram que, tão cedo, a Beatlemania não vai morrer.

Neusa Barbosa


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