Terra Vermelha

Ficha técnica


País


Sinopse

Confinados a um pequeno território, grupo de guarani-caiowáa decide retomar seu antigo território, há décadas invadido por fazendeiros.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/11/2008

Co-produção entre o Brasil e a Itália que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2008, este sólido drama de Marco Bechis, apesar de ficcional, tem suas raízes firmemente fincadas no documental. Retrata de maneira bem naturalista e sem maniqueísmo os dilemas dos índios guarani-kaiowáa do Mato Grosso do Sul em sua luta por um território.

Escrito em parceria pelo chileno Bechis e o brasileiro Luiz Bolognesi (Chega de Saudade), o roteiro apoiou-se em pesquisas realizadas no Mato Grosso do Sul, que elegeram os kaiowáa-guarani não só como seu tema, como também seus atores. Boa parte do elenco provém das comunidades dessa nação indígena nos arredores de Dourados (MS), onde se situaram a maior parte das locações.

A história começa com a crise provocada pelo suicídio de duas jovens índias, devido ao desespero de uma aldeia confinada a um espaço extremamente limitado, sem opções econômicas ou profissionais para os seus habitantes. Procurando uma saída, o cacique Nádio (Ambrósio Vilhalva) resolve guiar seu povo para a retomada de seu território tradicional, ao lado do rio, que há décadas foi invadido, a poder de bala, por grandes latifundiários da região.

A ocupação dos índios, embora pacífica, causa reação num fazendeiro (Leonardo Medeiros). A princípio, ele conversa com os índios, mas não está disposto a tolerar sua presença. Enquanto não se decide a uma medida mais violenta, coloca para vigiá-los um capataz (o ator italiano Claudio Santamaría).

O personagem que melhor simboliza o conflito interno dos indígenas é o jovem xamã Osvaldo (Abrísio da Silva Pedro). De um lado, ele se sente tentado pelo suicídio. De outro, é chamado a assumir seu papel de liderança dentro do grupo que, por se tratar de uma função sagrada, exige que ele evite o sexo. Uma opção difícil, não só por sua idade, mas pela aproximação das duas adolescentes, uma filha do fazendeiro, outra sua amiga, anunciando outra ameaça de choque com o mundo branco.

No elenco, destaca-se também outro brasileiro, Matheus Nachtergaele, como Dimas, um personagem dúbio, que tem uma pequena venda e atua como agenciador de mão-de-obra dos pequenos agricultores e também dos índios, nas terras dos grandes proprietários. Além deste filme, o ator atuou recentemente numa outra produção internacional, o filme venezuelano La Virgen Negra, de Ignácio Costillo Cottin, exibido na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Sem recair no “filme ONG”, bom-mocista, como tantos cineastas ao abordar a candente questão indígena, Bechis concretiza um relato sóbrio, em que contempla os diversos aspectos do enfrentamento entre brancos e índios, revelando sua humanidade de uma maneira complexa. Também evita idealizar os indígenas. Afastando-se do maniqueísmo, realiza um filme honesto.

Uma boa notícia foi que o lançamento de Terra Vermelha serviu de estímulo para que também o mais conhecido filme anterior do diretor, Garage Olimpo (99), inédito comercialmente no Brasil até agora, fosse também colocado no cinema, ainda que apenas em São Paulo. Um dos mais duros retratos da tortura sob a ditadura argentina dos anos 80, Garage Olimpo foi premiado nos festivais de Havana, Huelva, Salonica e Roma.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 11/11/2014 - 16h36 - Por Naruto Duas filhas??? Errado hein , é apenas uma filha, a outra é amiga. No casting do elenco está assim uma chama-se Maria (Fabiane Pereira da Silva) e amiga de Maria (Temily Comar)
  • 11/11/2014 - 16h57 - Por Neusa Barbosa Oi Naruto, já foi corrigido.
    abs
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