Quarentena

Ficha técnica


País


Sinopse

Angela Vidal é uma repórter de televisão que, junto com seu câmera, acaba presa num prédio infectado por um vírus estranho. Quando a pessoa é contaminada, acaba se tornando um vampiro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/01/2009

Uma das qualidades mais apreciáveis em Quarentena é sua capacidade de reunir estilos de diferentes vertentes do cinema de terror atual. Em três referências simples, encontra-se na produção a narrativa por meio de uma trêmula câmera, como em A Bruxa de Blair (99) e Cloverfield – Monstro (08); um número crescente de zumbis, como em Madrugada dos Mortos e Extermínio, ambos de 2003, e mortes violentas, com muitos ossos quebrados e sangue, similares aos vários capítulos de Jogos Mortais e O Albergue (06).

Para os fãs do gênero, esse mosaico do horror funciona como um ímã. Afinal, Quarentena não apenas copia modismos, ele provoca todas as sensações dos filmes que imita: tensão, aflição, asco, medo, tontura e, claro, alguns risos involuntários.

A história é centrada na repórter Angela Vidal (Jennifer Carpenter, de O Exorcismo de Emily Rose). Ela e seu cinegrafista, Scott (Steve Harris), fazem reportagens para a TV sobre a rotina de profissionais que trabalham enquanto o resto da cidade dorme. No programa da vez, eles passam a noite em um quartel de bombeiros.

Depois de horas de tédio -- que passa para o espectador, já que se perde muito tempo nessas cenas --, Angela e Scott acompanham os bombeiros em uma chamada. A princípio, a emergência não tem muitas emoções: uma senhora aparentemente passou mal e os vizinhos não conseguem abrir a porta de seu apartamento.

Ao chegar ao edifício, no entanto, a situação mostra-se mais sombria. Quando os policiais e bombeiros invadem a casa, seguidos pela câmera de Scott, a tal senhora ataca um policial, arrancando com os dentes metade de seu pescoço. Quando o grupo de resgate tenta levar o oficial atingido para o hospital, percebem que o prédio foi lacrado pelo exército. Isto é, estão em quarentena.

Como não há qualquer explicação, exceto o ataque da idosa canibal, a tensão dos personagens começa a aumentar com o confinamento. Tudo isso captado pelas lentes de Scott e apresentado por Angela, que “precisa mostrar o que está acontecendo com eles”.

Quarentena é uma refilmagem do competente REC (Espanha, 2007), de Paco Plaza e Jaume Balagueró, que ajudaram os irmãos John Erick e Drew Dowdle (do atordoante The Poughkeepsie Tapes, ainda inédito no país) na adaptação americana. Embora, algumas cenas sejam refeitas quadro a quadro, os Dowdle – que assinam roteiro e direção – mudaram cenas-chave da trama.

Apesar de ser válido fazer pequenas modificações, nem que seja por razões culturais, os irmãos Dowdle extraíram a essência de REC, para dar lugar a uma inoportuna e mal-ajambrada referência ao terrorismo. Some-se a isso o fato de a produção estragar o suspense com detalhes desnecessários, que não existiam na versão ibérica.

Talvez o ponto mais negativo de toda a trama seja o fato de ter criado o mais fajuto argumento para explicar a origem dos zumbis. É difícil entender como uma doença erradicada há décadas pode tornar-se o vírus do fim do mundo. Dá para rir...

Rodrigo Zavala


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