Ascensor para o Cadafalso

Ficha técnica


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Crítica Cineweb

13/02/2003

Numa noite de outono de 1957, o trompetista Miles Davis encontrou-se num estúdio de gravação parisiense com o jovem diretor de cinema Louis Malle. O cineasta projetou algumas cenas do filme que acabara de concluir e o músico seguiu as imagens tirando notas de seu instrumento, observado por uma bela jovem, Jeanne Moreau, sentada num bar improvisado, ela própria personagem das cenas, vista caminhando por ruas escuras de Paris, sem se incomodar com a chuva no rosto. Naquele momento, eram todos personagens de Ascensor para o Cadafalso, a primeira experiência de Malle na direção de um longa-metragem de ficção e a primeira trilha sonora para o cinema composta por Miles Davis.

As cenas do filme e as notas intimistas e distantes do trompete completavam-se com perfeição. O filme de Malle, considerado mais tarde um dos precursores da Nouvelle Vague, nascia embalado por um som também inovador do pai do cool jazz.

O filme, distinguido com o Prêmio Louis Delluc, trazia novidades. Com um clima noir, fotografia em preto-e-branco, contava a história de um crime passional, mas com um toque psicológico, no qual as dúvidas e angústias dos personagens colocavam em segundo plano a trama policial. Um aperitivo para o que viria depois com o próprio Malle, François Truffaut, Claude Chabrol... Todos esses ingredientes são um motivo a mais para rever este filme, em cópia nova, que volta depois de uma exibição na mostra Louis Malle, em 98, que passou rapidamente por São Paulo e ficou 15 semanas em cartaz no Rio.

Julien Tavernier (Maurice Ronet) é um ex-oficial francês, que combateu na Argélia, que trabalha como executivo de uma empresa petrolífera. Ele está apaixonado por Florence Carala (Jeanne Moreau), mulher de seu patrão, Simon Carala (Jean Wall). O empresário é um impecilho e Florence acaba convencendo o amante a matar o marido. Julian planeja o crime perfeito: entra pela janela do escritório, usando uma corda, mata o empresário com sua própria arma e cria o cenário do crime para parecer suicídio. O plano começa a ruir quando Julien, já fora do prédio, percebe que esqueceu a corda pendurada na janela. Ao voltar para resgatar a prova, acaba preso no elevador. Como o prédio ficaria fechado durante o fim-de-semana, o zelador desligou a chave-geral antes que Julien pudesse descer.

Julien está mais perto do cadáver do que gostaria. Na rua, seu carro conversível está estacionado com a chave no contato. Louis (Georges Poujouly), namorado de Véronique (Yori Bertin), uma florista que conhece Julien de vista, tenta impressionar a moça com seu estilo durão e rebelde, e sai com o carro pelas ruas. A princípio Véronique reluta em segui-lo, mas acaba entrando no carro para participar da aventura. Florence, que tramou a morte do marido, espera Julien impaciente, sentada num café. A demora a aflige: Julien pode ter mudado de idéia e desistido do crime.

Cansada de esperar, Florence sai à procura de Julien e vê o carro passar. Ela consegue reconhecer apenas a florista e julga que o amante desistiu e fugiu com a moça. Ela passará o resto do dia e toda a noite buscando Julien de bar em bar. Preso no elevador, o ex-oficial faz de tudo para tentar escapar. Chega a abrir um alçapão e desce pelas cordas do elevador, mas não consegue abrir as portas dos andares.

Na estrada, Louis sente-se cada vez mais encorajado dirigindo o carro velozmente e provocando os outros motoristas. A florista se preocupa mas não consegue impedi-lo. Ele encontra uma arma no porta-luvas e a coloca no bolso. A jornada de Louis ainda está longe de terminar e ele ultrapassará sua última barreira em poucas horas.

Luiz Vita


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