À Deriva

Ficha técnica


País


Sinopse

Filipa, de 14 anos, a mais velha dos três filhos de um casal, observa o lento fim do casamento de seus pais, Clarice e o escritor francês Mathias. Ao mesmo tempo, tem de enfrentar o drama de sua própria entrada na vida adulta e amorosa.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/07/2009

Coprodução com participação brasileira e norte-americana, o filme tem o astro francês Vincent Cassel (O Ódio, Irreversível) no principal papel masculino, do escritor Mathias. Mas a real protagonista, que carrega o drama, é a brasileira Débora Bloch. Com presença magnética na pele de Clarice, uma mulher dividida em plena crise matrimonial, Débora encarna corajosamente as oscilações emocionais de uma família fraturada.

O ponto de vista da história, no entanto, é o da adolescente Filipa (a estreante Laura Neiva, de apenas 14 anos), a filha mais velha do casal. É dela o olhar que sintetiza o momento da crise que está no centro do roteiro, escrito pelo diretor Heitor Dhalia, com colaboração de Vera Egito (do curta Espalhadas pelo Ar).

É certamente um filme bem diferente de Dhalia, diretor de Nina e O Cheiro do Ralo. Ele deixa de lado o humor negro que temperou aqueles dois filmes, buscando aliar um tom intimista a uma produção vistosa em termos de fotografia, música e montagem, que seguramente visa o mercado internacional. Não é pecado. Em todo caso, observa-se uma certa diluição dramatúrgica que não é inteiramente satisfatória.

Estreante, Laura Neiva não dá conta de todas as nuances esperadas de sua personagem, em crise adolescente e vendo seu mundo familiar desabar ao observar a traição do pai à mãe com uma outra moradora da praia (a norte-americana Camilla Belle, de 10.000 A. C.). Ela enfrenta o turbilhão dos próprios hormônios e o chamado para crescer, entrar na vida adulta. É um peso bem grande para uma personagem e que a atriz, não devidamente conduzida, não dá conta de transmitir.

Aparentemente, a estratégia de venda do filme no mercado internacional também focou na escolha de um elenco bonito, tanto na jovem atriz, que parece uma modelo, quanto nos seus amigos. Ali se vê um universo de classe média alta onde não há um único negro – o que dificilmente é realista quando se observa uma praia brasileira, no caso, Búzios (RJ). É uma nota secundária, talvez, mas soa falsa. E a falta de autenticidade corrompe a unidade dramática da história mais de uma vez.

Em seu primeiro papel num filme brasileiro, o francês Vincent Cassel até força mais sotaque do que tem ao falar português. Visitante constante do Brasil e admirador de seus músicos - como Seu Jorge, Racionais, Rapping Hood e Marcelo D2 – , ele está preso num papel que não lhe dá todas as expressões cabíveis – e isso não depende do idioma e sim de problemas do roteiro.

Débora Bloch é a única a escapar dessas limitações, encarnando uma mulher de verdade, uma personagem que demonstra conhecer do avesso, dando-lhe carne, vida, dor, coragem. É seu melhor papel no cinema até agora, encerrando também uma ausência de oito anos, desde Caramuru – A Invenção do Brasil (2000), de Guel Arraes.

As belas paisagens de Búzios são uma atração à parte, num filme fotografado competentemente por Ricardo Della Rosa. A trilha sonora do veterano Antonio Pinto – frequente colaborador de Walter Salles, como no filme Central do Brasil- fornece a moldura emotiva para a história. É um Brasil modelo exportação para o mundo em crise.

Neusa Barbosa


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