Encontro Inesperado

Ficha técnica


País


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

18/02/2003

O diretor iniciante Christian Carion tinha uma idéia na cabeça: fazer um filme intimista, sobre uma técnica em informática que se torna fazendeira. Apesar do notório conhecimento que tinha do campo, já que era filho de camponeses e engenheiro com passagem pelo ministério da agricultura, Carion não conseguiu sensibilizar financiadores com muita facilidade. Sua vingança não tardou, já que o filme foi um dos grandes sucessos de público de 2001, passando dos dois milhões de espectadores na França.

O sucesso parece reforçar a tese da sintonia do grande público francês com histórias simples, humanas e - coincidência ou não - em que uma mulher é protagonista, mesmo caso do fenômeno O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Por acaso, a protagonista deste filme, Audrey Tautou, trabalhou lado a lado com a protagonista de Encontro Inesperado, Mathilde Seigner, num outro filme simpático, Instituto de Beleza Vênus que, aliás, era dirigido por uma mulher, Tonie Marshall.

Em Encontro Inesperado, Mathilde interpreta Sandrine, uma especialista em informática que decide jogar para o alto sua vida estressante em Paris em troca de um curso intensivo no campo que a transformará numa fazendeira high tech. Apesar de ser um sonho há muito acalentado, o começo não é nada bucólico. O cotidiano é estafante do ponto de vista físico, e inclui presenciar cenas chocantes para não-iniciados, como a morte de porcos. Mas Sandrine supera todos os obstáculos com coragem e parece encontrar nessa vida nova sua segunda natureza.

O osso mais duro de roer é o velho Adrien Rochas (Michel Serrault), o antigo dono da fazenda comprada pela moça, onde ela começa sua nova vida. Durante alguns meses, eles dividirão a propriedade, até que se completem as providências para a mudança para a casa de um sobrinho, onde Rochas irá morar. Tradicional e turrão, o velho espia sua vizinha, criticando seus métodos modernos pelas costas com seu amigo Jean (Jean Roussillon) e não faz nada para facilitar a vida de Sandrine. A moça, orgulhosa e independente, também não lhe fica atrás, recusando-se a desempenhar o papel de boa samaritana, só porque Adrien é um velho sozinho.

Revelando lentamente os detalhes da biografia dos dois protagonistas, o filme instala um ritmo certeiro na conquista da boa-vontade do público. Embora simples na forma e no conteúdo, é menos maniqueísta e simplório do que qualquer filme americano com tema semelhante, já que não idealiza nenhum dos dois personagens, limitando-se a revelar-lhes os contornos humanos. Outro ponto alto está na trilha sonora, onde se encaixa até uma pérola de outros tempos, a valsinha La Valse au Village, de Jean Sablon. Um toque nostálgico num filme em que se fala do choque entre a cidade e o campo, epidemia da vaca louca, Internet e ecoturismo.

Cineweb-8/11/2002

Neusa Barbosa


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