Distrito 9

Ficha técnica


País


Sinopse

No início dos anos de 1990, uma nave alienígena desembarca na Terra. Duas décadas depois, a população alien é restrita a uma favela chamada de Distrito 9, um gueto militar, na África do Sul. Uma empresa é contratada para expulsar os seres daquela região.


Extras

- Comentários do Diretor e Co-Autor Neil Blomkamp

- Joanesburgo Vista de Cima: Imagens de Satélite e Mapas de Distrito 9 - Mapa Interativo

- Cenas Excluídas

- A Agenda Alienígena: Diário do Cineasta

- Metamorfose - A Transformação de Wikus

- Inovação: A Atuação dos Atores e Improvisações em Distrito 9

- Concepção e Design: Criação do Mundo de Distrito 9
- Geração Alienígena: Efeitos Visuais em Distrito 9


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/10/2009

A invasão da Terra por alienígenas é tema eterno nos filmes de ficção científica. ET, de Steven Spielberg, que encantou crianças e adultos com a história de um extra-terrestre perdido em nosso planeta, que conta com a ajuda de um grupo de crianças para voltar para casa, é exceção. Os aliens são sempre os vilões, os nazistas de outras galáxias.

Imagine-se agora o contrário: uma nave com alienígenas doentes e subnutridos chega por acaso à Terra, em 2012, sem nenhuma intenção belicosa. São resgatados numa operação humanitária. No final, acabam segregados em campos de concentração, na África do Sul, onde passam a viver isolados e sem poder se integrar à sociedade. São alimentados com restos de comida e mantidos sob um controle precário com a distribuição de latas de ração para gatos, disputadas no mercado negro e que servem de moeda em troca de armas e drogas.

Em Distrito 9, de Neill Blomkamp, essa história é contada em tom de falso documentário, numa África do Sul que parece não ter se livrado totalmente do estigma do apartheid, já que usa as políticas do antigo regime que segregava os negros, agora para isolar os alienígenas.

Depois do sucesso estrondoso nos Estados Unidos, Distrito 9 feito com apenas US$ 30 milhões, chega aos cinemas brasileiros com a expectativa de carreira semelhante e com uma continuação já em estudo pelos produtores. Esse apartheid contemporâneo, que prende a atenção pela história e pelos efeitos especiais, faz lembrar do brasileiro Tropa de Elite, já que nessa África do Sul futurista a tropa de choque chamada para conter as rebeliões dos ETs usa métodos semelhantes aos utilizados pelos comandados do capitão Nascimento.

Blomkamp, que também é sul-africano, cria uma fábula moderna e inquietante ao eleger os seres humanos como os grandes vilões da história. E não faltam referências, nada sutis, aos programas de eugenia da Alemanha nazista e aos métodos empregados pelos governos racistas sul-africanos, antes da abolição do apartheid, para privar a população negra das conquistas do regime. O Distrito 9, onde os ETs vivem isolados, é semelhante às imensas favelas de Soweto, em Johannesburgo, onde vivia e ainda vive a população negra e pobre do país.

No filme, o controle dos alienígenas é cada dia mais difícil, em face do aumento populacional e das condições precárias em que vivem, clima favorável para a deflagração de constantes rebeliões e atos de vandalismo.

A saída encontrada é transferi-los para um local maior e mais seguro (para a população humana) e à prova de fugas. A coordenação do programa de transferência, criado para parecer pacífico e voluntário, é entregue a Wikus (Sharlto Copley, amigo de infância do diretor), burocrata do departamento responsável pelo controle dos extra-terrestres. Bonachão e desastrado, Wikus encara a tarefa como uma grande oportunidade de promoção, conseguida pelo pai de sua noiva, chefe do departamento.

Wikus demora a perceber que ele é apenas um “laranja”, que fará figuração para que os agentes executem a tarefa de remoção a ferro e fogo. Sua função é apenas dar a aparência de legalidade aos atos de brutalidade.

O funcionário é seguido por um cinegrafista que acompanha seu trabalho e acaba, involuntariamente, sendo testemunha de um grave incidente. Ao revistar o barraco de um dos alienígenas, à procura de armas e materiais proibidos, ele entra em contato com uma estranha substância química que derrama sobre uma de suas mãos.

Os efeitos do produto logo serão conhecidos e tornarão Wikus uma outra pessoa, agora perigosa para a continuidade de todo o programa que, em seus bastidores, revela ser muito diferente do que é propagado por seus criadores.

Luiz Vita


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança