500 Dias com Ela

Ficha técnica


País


Sinopse

Tom é um arquiteto frustrado, que sobrevive criando cartões comemorativos. Um dia, aparece no escritório uma nova colega, Summer - que vira sua grande paixão e grande problema.


Extras

- Cenas Excluídas


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/11/2009

Um dos gêneros em que a média da produção mais abusa dos clichês, a comédia romântica, felizmente, é às vezes encarada com mais criatividade e frescor. É o caso deste 500 Dias com Ela, trabalho do estreante Marc Webb.

Webb, na verdade, é de primeira viagem só no cinema, mas não é estranho ao audiovisual, vindo de uma carreira premiada como videoclipeiro da MTV. Ele usa, aliás, muito bem essa experiência anterior para tornar o visual de seu filme mais rico – como quando recorre à tela dividida para retratar a diferença entre a expectativa e realidade de seu protagonista (Joseph Gordon-Levitt) numa determinada situação.

Até a escolha de Gordon-Levitt como protagonista aqui não foi óbvia nem natural. Ele nem é considerado galã, nem habituê de filmes do gênero, embora tenha frequentado o cast de Dez Coisas que Odeio em Você (99), ao lado de Julia Stiles. Levitt é um rosto mais conhecido de dramas como o recente Milagre em St. Anna, de Spike Lee. Por isso mesmo é que, ao assistir ao filme, não se sabe exatamente o que esperar dele. E há razões para se surpreender positivamente.

Nada daria certo se não se contasse, de saída, com um roteiro esperto – assinado por Scott Neustadter e Michael R. Weber. É dele que saem as situações que vão emparelhar o arquiteto frustrado Tom (Levitt) e sua nova colega de trabalho, num escritório que cria cartões corporativos: Summer (Zooey Deschanel, de Sim Senhor).

De previsível numa comédia romântica, Summer só tem a beleza. Ela nem é loira, nem tem o comportamento casadouro de maioria destas histórias. Ao contrário, ela é bem independente e resiste a uma ligação mais estável com Tom. O mesmo acontece ao desenrolar de todos os incidentes, desde os que os aproximam – envolvendo um encontro no elevador e uma paixão em comum pelos Smiths – a tudo que manterá a chama acesa no dia a dia até um inevitável estremecimento.

Sem entrar em detalhes sobre os percalços da relação, uma das qualidades deste filme está em como retrata a tristeza de Tom pela possibilidade de perder sua musa. Uma das sequências mais criativas retrata o rapaz na maior depressão assistindo a “filmes europeus”, em preto-e-branco – e que nada mais são do que refilmagens, feitas pela equipe do próprio Webb, a partir de clássicos de Ingmar Bergman, como Persona e O Sétimo Selo (só que aqui o resultado do jogo de xadrez é bem mais engraçado do que no original).

O último toque não-rotineiro da história é que não há final feliz automático. Sem entregar detalhes, o filme abre um leque de soluções possíveis, bem mais realistas do que a média do gênero e, por isso mesmo, bem mais agradável de acompanhar. Sem ter reinventado a roda, 500 Dias com Ela mostra que pode haver vida inteligente em Hollywood.

Neusa Barbosa


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