Avatar

Ficha técnica


País


Sinopse

2154. Os humanos, que já esgotaram os recursos da Terra, agora querem explorar o planeta de Pandora. Lá existe um minério muito valioso. Porém, o povo nativo, os Na'vi, não se interessa por dinheiro. Uma cientista desenvolve um projeto para sua abordagem, usando o corpo de um "avatar", que mistura material genético humano e dos Na'vi.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/12/2009

Dragões voadores, gigantes azuis, batalhas aéreas. Tudo em Avatar exala grandeza e depende da tecnologia digital. A ciência, no entanto, é mais vilã do que heroína no mundo idílico de Pandora, o planeta que está no centro dos acontecimentos.


Lá, a natureza está preservada por seus habitantes, os Na’vi, gigantes azuis, perfeitamente conectados de corpo e mente com o equilíbrio geral. Não se mata um único animal sem absoluta necessidade. A vida é sagrada para os Na’vi, que visualmente são um misto de indígenas e negros, habitando um mundo florestal e povoado de animais fantásticos e primitivos – como dragões alados e felinos gigantescos com dentes e garras afiadíssimos.


O sossego do planeta acabou com a chegada dos terráqueos, que em 2154, já esgotaram seu próprio planeta. O pior é que não buscam apenas espaço para morar – seu interesse está num valioso minério, cujo maior depósito está bem abaixo da moradia comunitária dos Na’vi.


Diante da total incompatibilidade de interesses entre os dois lados – os Na’vi não se interessam por nenhum bem econômico - e da postura bélica dos humanos, surge uma estratégia científica. A dra.Grace Augustine (Sigourney Weaver) gerencia o projeto dos avatares – ou seja, o desenvolvimento de corpos de Na’vi, aos quais se mistura material genético humano. Quem controla cada um deles é um ser humano, que tem afinidade genética com um deles. Cada humano conecta-se ao seu Na’vi quando entra numa câmara, onde permanece como num estado de sonho.


O avatar que tem a missão mais estratégica é Jake Sully (Sam Worthingon). Fuzileiro naval que ficou paraplégico, ele não tem muitas perspectivas profissionais, exceto substituir seu irmão gêmeo, que morreu acidentalmente e fora treinado para o projeto em Pandora. Assim, ele deve infiltrar-se entre os Na’vi, usando um corpo idêntico ao deles, e transmitir todos os seus segredos ao comandante militar, o truculento coronel Miles Quaritch (Stephen Lang).


Sully pode ser sujeito duro para prestar-se a essa missão traiçoeira. Mas não insensível a ponto de não sucumbir ao encanto natural do povo azul. Sua destreza física, especialmente, que lhes permite escalar árvores imensas e cavalgar dragões alados, é uma característica atraente para um ex-marine jovem que não pode mais dispor integralmente de seu corpo humano, preso a uma cadeira de rodas. Sem contar a atração amorosa que sente por sua mentora entre os Na’vi, Neytiri (Zoe Saldana).


Criando um universo muito maniqueísta, o roteiro, também do diretor James Cameron, deixa de explorar algumas nuances que cairiam muito bem num protagonista ambíguo como Jake Sully. A tomada de consciência sobre as consequências de sua espionagem é um tanto repentina, por exemplo. Como ele pode não ter percebido isso antes ?


Da mesma forma, poderia ser mais bem-construído o conflito entre a cientista Grace e seus auxiliares, que querem estudar o planeta, o gerente capitalista (Giovanni Ribisi), que quer explorar o minério, e o coronel, que deseja exterminar os nativos. Com a exceção da piloto rebelde Trudy (Michelle Rodriguez), não há um único militar que não seja brucutu.
O roteiro poderia esclarecer um pouco melhor o funcionamento da ligação entre o humano e seu avatar – durante quase todo o filme, Jake, por exemplo, entra e sai de sua cabine e não se sabe o que acontece com o avatar lá na floresta. Ele apaga, como se saberá mais adiante.  Então, é de se perguntar, e os Na’vi, não tinham estranhado isso ?


Nas guerras entre os Na’vi e os humanos, é hora do show desta caríssima tecnologia digital, que responde por 60% das imagens. Inclusive Inclusive boa parte do elenco só é vista na tela em sua versão digital, obtida a partir da técnica de capture motion dos atores reais.


Mas também se paga seu tributo a inspirações do passado. As guerras de Avatar  atualizam as batalhas de Star Wars, a franquia criada por George Lucas, com um toque de Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola – especialmente por causa dos helicópteros. O enredo deve muito aos bons e velhos westerns, neste embate entre selvagens idílicos e conquistadores ferozes. Tudo isso antecipando também o que são os videogames baseados neles.


Tudo somado, sobra duração – são 160 minutos - e falta um pouco de alma. Tenta-se resolver isso injetando um certo misticismo new age do meio para o fim. Não é de todo mau, mas não basta. A predominância da técnica, de se esperar até certo ponto num filme produzido nestas condições, será mais bem vista nas salas 3D. Sem dúvida, assistir ao filme numa delas, ou nas raras salas IMAX do País – uma em São Paulo, outra em Curitiba - é uma experiência sensorial superior. Mas que não resolve as fragilidades do roteiro mencionadas.


O final remete a uma sequência, que é de se esperar se a renda for proporcional ao monstruoso orçamento gasto: estimados US$ 500 milhões, segundo o jornal The New York Times. Parece demais, mas, com as credenciais do recordista de bilheteria mundial de todos os tempos – US$ 1,9 bilhões para Titanic (1997) -, está em curso um outro mega-estouro nas caixas registradoras. No Oscar 2010, ficou com três estatuetas (das nove indicações): efeitos visuais, direção de arte e fotografia.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 08/01/2010 - 19h10 - Por Rodrigo Ainda não tive a oportunidade de ir ver este filme, mas já sei que é mandatório vê-lo em 3D. O único problema é que dizem que o tamanho das telas dos cinemas 3D aqui em Sampa é pequeno.

    Espero que logo melhorem o nível dos cinemas por aqui e ainda, que todos os cinemas tenham lugar marcado para acabarem com as malditas filas.
  • 01/02/2010 - 20h10 - Por Mario Viana Pois é, Neusa, no meio do filme eu me vi perguntando sobre isso de os caras entrarem e saírem no mundo dos azuis e ficar tudo por isso mesmo... "então, eles não vivem no mundo real?", pensei. Ah, sei lá. O filme é um arraso no visual, mas bem pobrinho no roteiro. Aquele herói é interessante porque é um tremendo dum traíra: ele trai a cientista, o milico, a mina azul...mas a gente perdoa porque ele é gente fina... rs.
  • 20/03/2010 - 16h01 - Por Gabriel Moraes Os erros de roteiros de Avatar são,realmente,um dos pontos fracos do filme.Outras coisas também precisam ser consideradas:o elenco escolhido,que,apesar de ter feito uma atuação notável,não atuou com muita excelência.Fora isso,Avatar é um filme revolucionário,que com certeza vai mudar a história do cinema.James Cameron,o diretor,é um verdadeiro mestre das artes cinematográficas,que mais uma vez,nos impressionou com o seu talento e sua genialidade.Ele criou um mundo onde podemos viajar a qualquer momento,voar,testar nossas emoções, nossas escolhas e nossa credibilidade.Basta isso, para Avatar ser um dos melhores filmes de todos os tempos e sem dúvida merecia levar a estatueta tão desejada do oscar de melhor filme.
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