Amor sem escalas

Ficha técnica


País


Sinopse

Ryan ganha a vida viajando pelos Estados Unidos e despedindo pessoas. Isso pode mudar com a chegada de uma nova colega, que quer fazer o trabalho dele por meio da internet. Outro problema é a solidão dele, que não consegue manter um relacionamento, nem com amigos, nem com parentes.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

07/01/2010

Jason Reitman passa da adolescência, que retratou tão bem na comédia Juno – que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar de direção, em 2008 -, para a idade adulta, no drama Amor sem Escalas, que o distribuidor no Brasil tentou vender como comédia romântica. O que nada mais é do que propaganda enganosa.
 
Não há nenhum demérito em dizer que um filme é um drama, ainda mais sendo bom como este. Tentar tapear o público é nada mais do que um truquinho tolo de quem costuma tratar o público como criança e não acredita muito no potencial de um filme que teve 6 merecidas indicações no Oscar 2010.
 
Então, o filme é adulto e, embora tenha diversos momentos divertidos, aborda temas polêmicos e bem contemporâneos do mundo do trabalho. George Clooney interpreta Ryan Bingham, um sujeito que não sai do avião, ganhando um bom salário e acumulando milhares de milhas fazendo um trabalho sujo e antipático – é contratado por diretores de empresas que estão fazendo demissões em massa para dar a triste notícia aos ex-empregados. E, de quebra, tentar convencê-los de que perder o emprego pode ser até bom.
 
Bingham vive tão longe do chão que quase nem é mais humano. Já criou tamanha armadura que nem sente mais a impiedade de seu trabalho. Aliás, nem mesmo é capaz de manter qualquer ligação emocional com ninguém, nem de sua própria família. Suas irmãs mal conseguem conversar com ele ao telefone, de tempos em tempos.
 
Três situações forçam-no a encarar as coisas de que ele foge. Não por acaso, todas protagonizadas por mulheres. As duas irmãs o procuram, porque uma delas vai casar. Ele conhece uma bela executiva, Alex (Vera Farmiga, de Os Infiltrados), que é exatamente como ele em tudo, por isso, torna-se fácil ter um envolvimento. A terceira é a chegada de uma nova executiva, jovenzinha e carreirista, que pretende revolucionar os métodos em sua própria empresa, Natalie Keener (Anna Kendrick). A moça simplesmente quer tornar o trabalho deles mais impessoal ainda, demitindo as pessoas via internet.
 
Abalado por esse assédio feminino em vários níveis, Ryan tem sua crosta arranhada. No fundo, talvez nada do que ele pensou ou fez até agora se sustente mais. Mas a melhor parte desta balançada afetiva do protagonista é que o roteiro de Jason Reitman e Sheldon Turner (a partir do livro de Walter Kim) não lhe oferece uma redenção fácil, muito menos uma jornada piegas de autoflagelação. Os personagens são bem próximos da realidade. Nisso é que o filme é mais adulto e se afasta dos clichês da comédia romântica. Quem for vê-lo esperando aquele final feliz açucarado vai se decepcionar. Amor sem Escalas exige um pouco mais de seu espectador, mas também entrega mais ao final da sessão.
 
Mais uma vez, ponto também para George Clooney, que continua firme em sua disposição de ser bem mais do que um galã e se arrisca em projetos inteligentes e desafiadores.

Neusa Barbosa


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