Fixação

Ficha técnica


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Crítica Cineweb

19/02/2003

Há uma dose nociva de zelo nos relacionamentos amorosos. Resta ao casal ter o bom senso de encontrar um equilíbrio entre o tolerado e o exagero. Como não poderia deixar de ser, essa eterna busca pela idealização romântica, e seus óbvios fracassos, é uma fonte inesgotável de produções. Geralmente digestivas para as tardes de domingo, as comédias românticas cumprem seu papel de entretenimento e boas intenções. A mensagem é sempre óbvia: se você não encontrou sua alma-gêmea, o problema está em você, portanto trate de correr.

Porém, quando essas discussões são recheadas de suspense, criado pela frustração com o fracasso e a incapacidade de controlar as emoções, muitos diretores ficam na corda bamba. Afinal, não são todos que conseguem fazer seus atores demonstrarem até onde pode chegar a obsessão daquele que não é amado.

Um bom exemplo disso é o filme do diretor John Polson, mais conhecido por ser o fundador do Tropfest, o maior festival de cinema da Austrália dedicado aos curta-metragens, do que propriamente pelas produções de sua autoria. Diga-se, apenas por curiosidade, que se resumem a uma: Siam Sunset, que levou o Rail D'or no Festival de Cinema de Cannes, em 1996.

Seu novo filme conta a história de Ben Cronin (Jesse Bradford, de Clockstoppers), que apesar de uma vida bastante feliz ao lado da namorada, envolve-se com a bela Madison (Erika Christensen). Como a menina tem sérios problemas emocionais, até então ocultos, Ben acaba atraindo a ira da garota ao dar a entender que não quer mais nada além de uma noite de sexo. É o começo de um longo e tenebroso suspense, recheado de brigas, sexo e, claro, muitas mortes.

A fraqueza dramática dos personagens chega a ser constrangedora. A única que parece se dar bem, como a namorada do rapaz, é Shiri Appleby - que pode ser vista em um incompreensível seriado televisivo de ficção científica, que traz alienígenas adolescentes vivendo em Roswell, EUA. Vale lembrar que não estamos falando aqui de uma atuação exemplar, mesmo porque o papel da atriz é simples o bastante para não comprometê-la.

Os demais dão um show de canastrice. Mesmo a excelente Erika Christensen, reconhecida por sua atuação como a filha viciada em drogas de Michael Douglas, no filme de Steven Soderbergh, Traffic, não consegue desenvolver seu personagem, muito provavelmente pelo fraquíssimo roteiro e pela pavorosa edição.

E, falando de Michael Douglas, uma boa comparação de Fixação pode ser feita com um dos filmes estrelados pelo ator: Atração Fatal (1987). A nova produção possui o mesmo embasamento, no entanto, apresentando personagens pós-adolescentes.

Se Atração Fatal serviu de inspiração, o diretor não apenas o fez de forma claramente errada, como também não aprendeu que a obsessão (ou, no caso aqui, fixação) deve ser trabalhada muito bem, ou, pelo menos de forma original. Pelo menos, para o bem do público.

Cineweb-15/11/2002

Rodrigo Zavala


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