Epidemia

Ficha técnica


País


Sinopse

Num vilarejo, os moradores mudam radicalmente de comportamento e passam a matar uns aos outros. á um segredo envolvendo militares.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/08/2010

Há sempre uma nítida resistência por parte de fãs e da crítica especializada quando um estúdio anuncia a estreia de uma refilmagem, ainda mais quando se trata de um cultuado filme de terror. As comparações são inevitáveis e há sempre o questionamento sobre a validade do projeto. A grande questão é: como será possível melhorar? 
 
A Epidemia mostra-se como um exemplo desta situação. Refilmagem de O Exército do Extermínio, do cultuado cineasta George A. Romero, a produção do diretor Breck Eisner (de Sahara) segue à risca o que manda o mestre. Mas fica devendo em suspense em relação ao que se mostrou em 1973, quando o primeiro foi às telas.

Lançado em meio à Guerra Fria, o filme original fazia mais sentido. Na trama, moradores de um vilarejo norte-americano passam a apresentar comportamentos estranhos, cujo fim é matar as pessoas em volta. Descobre-se mais tarde que a causa das atitudes, que variam entre a catarse e a violência desmedida, é a contaminação do lago local por uma substância letal, liberada por acidente por militares norte-americanos.

Há, aqui, uma característica cara aos filmes de Romero. Na luta contra os russos, a inteligência norte-americana consegue desenvolver armas mortais para desequilibrar as potências. No entanto, quando descuidadamente ela recai sobre seus próprios cidadãos, evidencia-se que não há controle sobre as consequências de suas ações. E filtra-se uma sutil crítica política por aí.
 
Nesta produção, quem descobre o problema é o xerife David Dutten (Timothy Olyphant, de Duro de Matar 4), que vê sua cidade sucumbir frente uma epidemia. Quando o vilarejo é isolado em quarentena e seus habitantes, levados à força pelo exército, incluindo aí sua esposa Judy (Radha Mitchell, de Terror em Silent Hill), o policial fará de tudo para escapar com sua mulher do cerco.

Seria possível descrever o novo filme como uma cópia sem viço ou originalidade de um cineasta possivelmente considerado “professor” do mundo dos zumbis, Romero. Afinal, com sua trilogia, A Noite dos Mortos-Vivos (1968), O Amanhecer dos Mortos-Vivos (1978) e O Dia dos Mortos-Vivos (1985), ele marcou essas criaturas no imaginário popular. Mas não se trata apenas disso.

George A. Romero não só assina a produção executiva deste filme, como também supervisionou de perto sua filmagem. O roteiro, adaptado por Scott Kosar, responsável pelas refilmagens Horror em Amityville e O Massacre da Serra Elétrica, ao lado de Ray Wright (de Caso 39, lançado diretamente em DVD, no Brasil), tem igualmente a assinatura dele.

Fora da direção, Romero produz cinema sobre mortos-vivos sem qualquer julgamento de valor. Nos bastidores, ele não se expõe frente às críticas de refilmagens descontextualizadas, como esta. Baluarte do cinema trash (que ele nega representar, mas do qual participa), como o italiano Tom Savini, tem tudo para sentir vergonha do resultado aqui. 

Rodrigo Zavala


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