O refúgio [2010]

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois da morte por overdose de seu namorado, Mousse descobre que está grávida. A mãe do rapaz sugere um aborto, mas ela decide manter a criança. Quando o irmão do seu namorado a visita numa casa de praia, os laços que se criam entre os dois selará seus destinos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/09/2010

O francês François Ozon é um diretor que foge de rótulos. Suas escolhas de filme não seguem uma linha – ao menos não uma linha óbvia. Ele transita de um musical povoado por megeras (8 Mulheres), para um drama intimista sobre o fim de um casamento (5x2), e é capaz de ir ao kitsch (Angel), depois de um suspense quase Hitchcockiano (Swiming Pool). Ainda assim, há em todos esses uma marca, a sutileza em fugir da obviedade e o olhar perspicaz, especialmente com personagens femininos. Seu mais recente trabalho, a comédia Potiche, acaba de estrear no Festival de Veneza.
 
Em O Refúgio o cineasta, que assina o roteiro com Mathieu Hippeau, faz um estudo de dois personagens que inicialmente são quase diametralmente opostos, mas, aos poucos, encontram a intersecção que os une. Eles são Mousse (Isabelle Carré, de Medos Privados em Lugares Públicos) e Paul (o estreante Louis-Ronan Choisy). São duas pessoas que por pouco não se conhecem, embora suas vidas estejam conectadas por um ponto em comum: Louis (Melvil Poupaud, que protagonizou outro filme de Ozon, O Tempo que Resta).
 
Louis e Mousse moram num apartamento em Paris e são viciados em heroína. Ele morre de overdose acidental e ela acorda dias depois numa cama de hospital, onde recebe a notícia e também fica sabendo que está grávida. A mãe de Louis (Claire Vernet) trata o assunto da maneira mais direta possível: irá ajudar a moça a fazer um aborto, pois a família não deseja um descendente do rapaz.
 
Na cena seguinte, Mousse está numa casa de campo emprestada e com a gravidez bastante adiantada. Ela recebe a visita de Paul, irmão de Louis. Eles não são amigos, na verdade mal se conhecem, e custa para que algum vínculo afetivo se forme entre os dois. Como ela mesma diz ao rapaz: ele está invadindo o seu espaço. Mas, aos poucos, essa invasão toma outros contornos.
 
Às vezes, o filme de Ozon parece superficial e seus personagens rasos e planos, mas isso é apenas uma leitura apressada. O Refúgio ganha densidade por aquilo que representa, mais do que pelo que mostra ou diz. Porque Mousse não interrompeu a gravidez? O que se passou no intervalo entre o funeral de Louis e a chegada à casa de praia onde ela está agora? Isso não sabemos, mas talvez pouco importe, pois o filme está interessado é no presente dos personagens. As lacunas não precisam ser preenchidas.
 
O relacionamento entre Mousse e Paul é o que impulsiona o interesse pelo filme – além do questionamento sobre o futuro do bebê que está para nascer. A protagonista está se tratando com metadona para abandonar o vício, mas parece não ter planos ou perspectivas para o futuro.  
 
Como em seus melhores trabalhos, em O Refúgio Ozon faz um filme intimista que segue de perto o amadurecimento de poucos personagens. O diretor pode estar transitando apenas em sua zona de conforto e se arriscando pouco, mas isso não diminui a eficiência da direção ou o interesse pelo filme.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 23/09/2010 - 22h42 - Por Otávio "Às vezes, o filme de Ozon parece superficial e seus personagens rasos e planos"...

    ... Eu diria que não me lembro de um momento em que o filme e os personagens não pareceram isso.

    Filme fraco, o diretor força situações para tentar explicitar aquilo que a protagonista sente. O filme é delicado como um mastodonte e trata o espectador como um imbecil.

    Detestei.
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