Léo e Bia

Léo e Bia

Ficha técnica


País


Sinopse

No começo da década de 1970, Léo é um jovem diretor de teatro que, com sua turma, sonha em espalhar alegria pelo mundo. Sua paixão por Bia, a melhor atriz da trupe, é sua inspiração. A possessiva mãe dela é um obstáculo para esse amor.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/09/2010

Famoso compositor e cantor, Oswaldo Montenegro estreia na direção de cinema com o musical Léo e Bia, baseado numa peça homônima que ele montou em meados da década de 1980. A história se passa no começo dos anos de 1970, quando a censura interferia em qualquer obra de arte que fosse minimamente ousada, ou fora dos padrões, e retrata um grupo de jovens de Brasília, que só quer ser feliz e fazer – sem qualquer pretensão de mudar o mundo.
 
Léo (Emílio Dantas) é jovem, criativo e diretor de um pequeno grupo de teatro experimental. Apaixonado por Bia (Fernanda Nobre), atriz de sua trupe, mas tem uma relação bastante próxima com sua melhor amiga, Marina (Paloma Duarte, que também assina a produção do filme e foi premiada como melhor atriz no Cine PE, em abril passado).
 
Numa época de utopias, apesar da ditadura militar no Brasil, Léo, Bia e seus amigos sonham em ser felizes e fazer do mundo um lugar mais alegre – mas o peso do tempo em que vivem entra no caminho. A mãe de Bia (Françoise Fourton), atriz frustrada, manipula a filha emocionalmente, fazendo chantagem com a sua solidão. A garota se sente no dever de cuidar da mãe e isso interfere entre ela, o teatro e seu namorado.
 
Cenograficamente, Léo e Bia remete a Dogville e Mandarlay, de Lars von Trier, que usa poucos objetos em cena e se desenvolve num galpão. Aqui, há também diversas canções, algumas cantadas em cena, outras tocando de fundo, nas interpretações de cantores como Ney Matogrosso e Zélia Duncan.
 
Léo e Bia parece seguir a mesma proposta das peças montadas por seus personagens, ou seja, apenas divertir, espalhar alegria e cantoria pelo mundo. Montenegro sabe que está começando como diretor e, por isso, não ousa voos formais, nem sai do tema e formato que domina. Personagens e situações são inspiradas na vida do músico – especialmente Marina, que tem como base a flautista Madalena Salles, que trabalha com o músico há muito tempo e aqui faz assistência de direção.
 
Se há em Léo e Bia um discurso que soa um pouco datado, por outro lado, há momentos de criatividade visual - como numa cena com um censor que pretende picotar a peça dirigida por Léo, que faz uma conexão entre Jesus Cristo e Lampião.
 
Além do prêmio para Paloma, o filme recebeu o troféu de melhor trilha sonora no mesmo festival. Montenegro, com Léo e Bia, faz aquilo que melhor sabe: expressar sentimentos em forma de canções.

Alysson Oliveira


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