Coincidências do amor

Coincidências do amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Kassie acha que está na hora de ter um filho. Sem namorado, ela apela à inseminação artificial. Por conta de um acidente, ela acaba grávida de seu melhor amigo, sem que nenhum deles saiba disso.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/09/2010

Num momento-chave da comédia romântica Coincidências do amor, entra em cena o clássico pop de Madonna Papa, don’t preach. Na música, uma adolescente grávida conta a notícia ao pai e pede “Papai, não me passe um sermão (...) Eu já resolvi, vou ter o bebê”. Curiosamente, a música é tocada numa festa em que uma das personagens centrais comemora a inseminação artificial que acontecerá minutos depois.
 
A presença da música é uma ironia, pois a personagem está beirando a casa dos 40, não encontrou o suposto homem certo para ser o pai de seu filho e apelou para um doador não-anônimo. Ao contrário da pobre adolescente cantada por Madonna, Kassie (Jennifer Aniston, a eterna Rachel de Friends) não precisa temer a bronca do pai com a gravidez indesejada e tem meios para sustentar seu filho.
 
A única pessoa a ralhar com ela é seu melhor amigo, Wally (Jason Bateman, de Juno), que não se conforma por não poder ser o doador. A explicação de Kassie: “Somos amigos demais”. Por não querer recorrer a um banco e ter um pai anônimo para seu filho, ela acaba contratando Roland (Patrick Wilson, de Watchmen), professor universitário boa praça mas sem dinheiro, e casado, cuja mulher concorda totalmente com a doação.
 
Por uma infelicidade, Wally derruba acidentalmente na pia o sêmen que Roland depositou num potinho e o substitui pelo seu. Kassie engravida sem saber que o pai é o seu melhor amigo. Mas ele também não se lembra do acidente daquela noite, pois misturou remédios com bebida.
 
Coincidências do amor pode parecer tanto uma comédia escatológica, quanto mais uma das dezenas de comédias românticas que Jennifer Aniston protagonizou. A surpresa é que o filme não é nenhuma das duas coisas. Primeiro porque Kassie não é a protagonista, e segundo porque Bateman está muito bem no papel do sujeito neurótico cuja vida vira de pernas para o ar quando a amiga volta para Nova York com o filho de 7 anos – e nenhum deles sabe que Wally é o pai.
 
O filme é baseado no conto Baster, publicado na década de 1990, na revista New Yorker, e escrito pelo norte-americano Jeffrey Eugenides – autor de As Virgens Suicidas, que deu origem ao filme homônimo de Sofia Coppola, lançado em 2000. Se no filme de Sofia a trama era bastante fiel ao livro, aqui o texto do escritor serve apenas de pretexto, já que o filme segue caminhos bastante diferentes.
 
Em seus contos e romances, Eugenides costumava ter uma visão masculina sobre o mundo feminino. Em Middlesex, romance ganhador do Pulitzer em 2003, o protagonista é um hermafrodita que começa o livro como menina e termina como homem. No universo do escritor, a mulher é um mistério a ser decifrado por narradores confusos, inseguros. Não é diferente em Coincidências do Amor, em que Wally tem dificuldades em compreender as decisões de Kassie, mas ainda assim, fica ao seu lado.
 
Dirigido por Josh Gordon e Will Speck, o filme, às vezes, confia demais no pequeno Thomas Robinson, que interpreta Sebastian, filho de Kassie. O garoto, embora não se pareça nada fisicamente com Wally, tem os mesmos trejeitos e neuroses do personagem de Bateman. Os laços de amizade nascem entre eles de forma natural, ao contrário daqueles que Kassie tenta forçar entre o menino e aquele que ela julga ser seu pai, Roland.
 
Coincidências do amor reforça a ideia de que a família de verdade é aquela que escolhemos, independentemente dos laços biológicos. Coincidentemente, no caso de Kassie, Sebastian e Wally, o destino prega peças e o resultado das reviravoltas é conveniente. Ainda assim, o filme é um pequeno milagre, raro, mas possível, ao mostrar que Aniston é capaz de escolher projetos melhores que os últimos filmes em que trabalhou. Na pele de Kassie, ela não sai de sua zona de conforto, mas é capaz de mostrar algum talento, num filme que não agride a inteligência, embora se esforce para arrancar lágrimas desnecessárias. 

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 27/06/2011 - 10h48 - Por marcio_Lg Bom filme. Só achei que o típico final-comédia-romântica enfraquece um pouco a história que, até ali, vinha percorrendo um caminho interessante, pouco visto em filmes do gênero.
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