Um homem que grita

Ficha técnica


País


Sinopse

Adam foi campeão de natação e tornou-se salva-vidas de um hotel de luxo. Quando o hotel em que trabalha é privatizado, ele é reduzido à função de porteiro e seu filho toma seu lugar. Ao mesmo tempo, Adam é pressionado para pagar uma soma para que seu filho náo seja convocado para lutar no combate à guerra civil.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/11/2010

Este raro filme do Chade, coproduzido com a Bélgica e França, coloca as preocupações políticas e humanistas de um diretor já conhecido do circuito internacional dos festivais, mas inédito até aqui no circuito comercial brasileiro: Mahamat Saleh Haroun, que estudou cinema e jornalismo na França e já apresentou em Cannes Abouna, notre père (Quinzena dos Realizadores de 2002) e teve outros de seus filmes (Bye Bye África e Darat, Dry Season) premiados no Festival de Veneza, respectivamente em 1999 e 2006.
 
Em Um homem que grita, Haroun volta ao tema constante de sua filmografia, os efeitos devastadores da eterna guerra civil no Chade, que já dura mais de 30 anos. A questão política é filtrada pela questão humana de um pai, Adam (Youssouf Djaoro), ex-campeão de natação e agora salva-vidas da piscina de um hotel de luxo. De um lado, ele é pressionado pela privatização do hotel, que o empurra para a função de porteiro, deixando o posto para seu próprio filho, Abdel (Diouc Koma). Uma humilhação que lembra a do protagonista de A última gargalhada (1924), de Friedrich W. Murnau.
 
De outro lado, Adam tem pela frente o governo, que o chantageia a pagar em dinheiro pelo esforço de guerra contra os rebeldes ou entregar voluntários para o exército. Adam não tem dinheiro, portanto, deve conformar-se com o recrutamento forçado do próprio filho.
 
Colocando em tintas sutis este conflito moral e ético imenso, Haroun radiografou uma situação dramática comum a vários países africanos, tornando-a não só acessível a plateias internacionais, como rompendo com a virtual invisibilidade da África no mundo do cinema.
 
Uma chave da autenticidade está nas interpretações naturalistas de um elenco predominantemente amador – inclusive o impressionante protagonista, Youssouf Djaoro, que foi premiado pela atuação no Festival de Chicago. Djaoro, aliás, produziu grande impressão já no Festival de Cannes, onde o filme teve sua première mundial, num ano em que a seleção do evento privilegiou narrativas com figuras paternas fortes – duas delas, aliás, foram os vencedores do prêmio de melhor ator, o espanhol Javier Bardem (por Biutiful), e o italiano Elio Germano (La Nostra Vita).
 
O que é fascinante em Um homem que grita é como o diretor Haroun transforma a simplicidade numa ferramenta a favor da história, tornando-a compreensível, sem artifícios, nem pieguice. É o tipo do filme que cresce na memória à medida que o tempo passa.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 06/12/2010 - 14h08 - Por Paulo Victor O filme é realmente bonito! Mas pelas críticas que eu li esperava muito mais.
    O filme por diversas vezes é muito parado, e poderia ser resumido a metade do tempo (que já é curto) talvez, pois a história é deveras curta!
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