127 Horas

127 Horas

Ficha técnica


País


Sinopse

Aron Ralson é um engenheiro que gosta de se arriscar nas suas aventuras. Explorando um cânion, ele sofre um acidente e uma pedra desliza prendendo seu braço contra uma parede rochosa. Ele não consegue sair dali, e ninguém aparece para o salvar. Ele precisará tomar medidas extremas para sobreviver. Baseado numa história real.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

14/02/2011

É necessário fazer uma distinção entre a história do verdadeiro Aron Ralston e aquela mostrada em 127 Horas, de Danny Boyle. O sujeito real é aquele que ficou 127 horas com o braço preso entre duas rochas, num cânion, em Utah, e teve de amputá-lo sozinho para conseguir sobreviver. Uma história que, em 2003, saiu em jornais do mundo todo e, mais tarde, virou um livro de memórias.
 
Engenheiro por formação, e aventureiro por natureza, Ralston (Franco) passa o final de semana escalando montanhas. Poucos incidentes cruzam o seu caminho: um par de garotas – interpretadas por Kate Mara e Amber Tamblyn – que têm pouca experiência e também estão explorando a mesma região. O filme se ocupa delas por pouco tempo. Os três se divertem numa piscina natural dentro de uma caverna, mas depois o protagonista segue sozinho.
 
Minutos mais tarde, cai numa fenda e uma rocha desliza por cima dele, prendendo seu braço. Começam então suas 127 horas de agonia. Para retratar isso, Boyle se vale de alguns malabarismos e muita pirotecnia, tentando segurar 90 minutos de um homem contra a natureza. Para criar o filme, o diretor tinha material em que se apoiar – do vídeo-diário que o próprio Ralston manteve naqueles dias, além do próprio sobrevivente para contar a sua história. Essa é uma trama que beira o existencialismo – o toque de aventura se esvai logo no começo. É a história de um homem no limite que não pode fazer outra coisa para matar o tempo a não ser pensar em sua vida, lembrando-se da infância e dos pais (Treat Williams e Kate Burton).
 
Mas Boyle é um diretor dado a modernices que não se contenta em narrar. É preciso dividir a tela em três, usar imagens aceleradas e outros rebuscamentos que, no fim, só diluem a força que a narrativa tem a oferecer. Flashbacks ecoam pela mente de um Ralston quase agonizante que, entre uma tentativa e outra de se libertar, pensa na família, nos amigos e em tudo o que está perdendo, preso entre duas rochas.
 
Há dois anos, Boyle ganhou o Oscar de direção com Quem quer ser um milionário? – outra história de um jovem que triunfa contra as adversidades graças ao amor. Sim, porque por mais enterrado nas entrelinhas que esteja, há um componente estranho de romance aqui. Afinal, o protagonista só toma as medidas mais drásticas depois de uma premonição sobre seu futuro caso consiga escapar dali.
 
O inglês Boyle estreou no cinema em 1994 com Cova Rasa, um filme com uma história bizarra sobre amizade, traições e sangue – quase um conto macabro. Depois veio, em 1996, Trainspotting, um filme que ajudou a sedimentar sua reputação de cineasta indie, de talento e gosto pela subversão – tanto temática quanto narrativa. Mas, em mais de 15 anos de carreira, o diretor caiu num conformismo, rendendo-se a fórmulas fáceis –  como Quem quer ser um milionário? e Caiu do céu – até veículos para grandes astros – Leonardo Di Caprio, no auge do seu auge logo após Titanic, com A praia. De uma forma ou de outra, Boyle nunca mais esteve à altura do seu começo promissor.
 
É inegável que há um certo sadismo num filme em que transforma em um espetáculo visual uma amputação a sangue frio. É bem verdade que Boyle não espetaculariza o clímax, mas, nem por isso evita a grandiloquência – especialmente com a trilha de A.R. Rahman – quando finalmente decide transformar Ralston numa espécie de heroi involuntário, que passa valorizar a vida depois de ter chegado perto da morte.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 15/02/2011 - 16h47 - Por Otávio Tão bobo quanto "Quem Quer Ser um Milionário".

    *Ao invés do programa de auditório, são "memórias", "flashes".

    *A "moral da história" nos é transmitida sem um pingo de sutileza... Ao final do filme ele literalmente escreve qual era o "recado" que queria dar.

    *As cenas individualmente causam aflição, mas não acompanham o conjunto da obra. Sinceramente, acho que elas apelam. Não vejo muita engenhosidade nisso...

    Enfim, faz um tempinho que vi este filme e agora ele está mais fraco na minha memória. Mas foi mais ou menos o balanço que eu fiz no dia em que o vi.

    Abs!
  • 17/02/2011 - 15h56 - Por Otávio hahaha, e ninguém pode falar que minha opiniao foi influenciada pela do Alysson pq meu comentário veio antes da crítica dele!!!

    O Danny Boyle é um diretor piegas e meia boca! E o Alyson tem razao com respeito à "pirotecnia"... Aliás, era um filme que teria ficado muito melhor se ele fizesse menos cortes e nao ficasse ansioso pra fazer o personagem falar. Larga aquela câmera parada, cria uma sensaçao de que o tempo nao passa, poxa... É um mexe na câmera, grita, lembra da família, da namorada que nao pára nunca!

    Neste ponto, eu entendo o diretor: o público alvo foi o público de blockbuster, e esse povo nao aguenta com filme mais parado. Aí entramos o que o Alyson disse de "fórmula fácil", ou seja, é uma fórmula que faz com filme seja mais mercadológico.

    Sério, esse diretor é muuuuuito meia boca. E a academia adora ele.
  • 18/02/2011 - 17h19 - Por Emerson Excelente filme, visulamente e narrativamente espetacular. Prender a atenção por 90m não é tafera fácil, com apenas um personagem em cena.

    James Franco é carismatico e bom ator. O que me incomodou um pouco foi a mania do personagem, em registrar todos os momentos. em determinada cena, ele cai de bicicleta e ao invés de ver se estavaferido, prefere tirar uma foto. outra coisa é o excesso de merchandising, tem de isotonico, de refrigerante e de eletrônicos. Exagerado e desnecessário
  • 19/02/2011 - 05h29 - Por Matheus Hernandes Alysson, acho que você deveria abandonar a carreira de crítico de cinema
    você simplesmente odeia todos os filmes!
  • 20/02/2011 - 16h17 - Por Otávio Eu acho o Alysson às vzs "cri-cri", mas esse filme é mto meia boca... pelamor
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