A Alegria

Ficha técnica


País


Sinopse

Luiza tem 16 anos, e mora com a mãe. Quando seu primo leva um tiro no pé, sua vida se transforma. Coisas misteriosas começam a acontecer, e, com ajuda de um grupo de amigos, ela embarca numa história de fantasia.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/08/2011

Há uma ironia muito grande no título de A alegria, segundo longa da dupla Felipe Bragança e Marina Meliande (mas primeiro a chegar ao circuito comercial). Se é proposital ou não, tanto faz. A verdade é que este é um filme sobre o tédio, sobre as coisas que as pessoas – especialmente os jovens – são capazes de inventar quando têm tempo de sobra e procuram romper a rotina.
 
Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2010, A alegria é um filme sobre jovens, mas, há dúvidas se é para jovens. Os protagonistas parecem viver num mundo à parte – ou talvez tenham vindo de outro, o que é uma explicação bastante plausível ao final da trama. Eles estão muito mais próximos dos emos-sofredores-sem-causa de Os famosos e os duendes da morte, do que do viés naturalista de As melhores coisas do mundo, Antes que o mundo acabe e até Desenrola.
 
A oposição entre os jovens retratados nos dois grupos de filmes é nítida. No segundo, é uma juventude de carne e osso, que vemos na porta da escola, no shopping, na praia. Já no primeiro caso, os diretores (Bragança e Marina, de A alegria; e Esmir Filho, de Os famosos...) miram numa idealização de um grupo que foge do convencional. Curiosamente, esses dois filmes têm uma proposta estética mais ousada do que outros três – mas isso também não quer dizer que sejam bem-sucedidos.
 
Criar personagens que pouco ou nada se assemelhem a pessoas de verdade, a priori, não seria um problema, pelo contrário. Mas, em ambos os longas, as figuras não encontram a densidade necessária para extrapolar sua existência além-filme. É como se Luiza (Tainá Medina) e sua turma fossem criadas apenas para existir enquanto personagens de ficção durante pouco mais de uma hora e meia. São como pessoinhas recortadas de uma placa de papelão. Como acreditar em personagens que parecem criados sem passado e sem futuro além da delimitação do começo e final de A Alegria?
 
O esforço dos diretores em criar uma obra cinematográfica com identidade própria e de grande poder visual está impresso em cada cena. E isso, no fim, é um ponto contra, porque não deixa o filme respirar. É meditado demais, calculado demais em todos os seus detalhes, em todo o seu esforço visual e narrativo.  
 
O grupo de jovens do elenco – que inclui, além de Tainá, Flora Dias, Rikle Miranda e Cesar Cardadeiro (que em 2008 esteve excelente como Bentinho, na série Capitu) – é visivelmente talentoso, mas falta uma direção de atores segura para guiá-los (a maioria é estreante), para ajudá-los a achar seus personagens.
 
O trânsito a que A alegria se propõe entre o drama realista e a fantasia juvenil nem sempre acontece numa estrada bem asfaltada. Os solavancos dos buracos poderiam fazer parte da viagem, se a paisagem pela janela fosse um tanto mais inspiradora. No entanto, o longa cobra um certo esforço que não é recompensado à altura. 

Alysson Oliveira


Trailer


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