Jogo de Espiões

Ficha técnica

  • Nome: Jogo de Espiões
  • Nome Original: Spy Game
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produção: 2001
  • Gênero: Suspense
  • Duração: 126 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção:
  • Elenco:

País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/02/2003

Não há como negar que o thriller Jogo de Espiões seja exemplar. Ao mesmo tempo que mantém os espectadores grudados na cadeira do cinema, é uma excelente aula sobre os bastidores da intrincada política internacional promovida pelos Estados Unidos. Afinal, o filme resume praticamente 30 anos de conflitos, que vão da Guerra do Vietnã (1964) ao fim da Guerra Fria (1989).

Trata-se da história de Nathan Muir, interpretado por Robert Redford, um agente da CIA prestes a se aposentar, que recebe a notícia de que um certo Tom Bishop (Brad Pitt) acaba de ser preso na China, onde será executado em 24 horas. Bishop vem a ser, como o filme revela em flashback, o pupilo de Muir. Nostálgico, um sentimento que jamais experimentara, Muir agirá então, em segredo, para tentar salvá-lo.

E não se trata de sentimentalismo despropositado. Juntos, passaram por apertos que quase custaram suas vidas. Assassinaram sargentos vietnamitas durante a guerra, promoveram atentados em Beirute, chacinaram civis na extinta Berlim Oriental. Tudo isso em nome da liberdade, da democracia hasteada pela bandeira norte-americana e, claro, da segurança mundial.

Qualquer semelhança com as decisões tomadas pelo atual presidente, George W. Bush, e seu terrorismo às avessas, não é mera coincidência. Os americanos continuam os potenciais interessados em tudo o que se passa em qualquer canto deste mundo. E os seus agentes secretos se encarregam de prevenir qualquer investida contra a ordem estabelecida "all over the world". Atitudes que o filme, mesmo sem pretensão, aborda de forma bastante reveladora, porém, acrítica.

Nesse sentido, torna-se risível a questão ética colocada por Muir no desenrolar da história: "Lembra-se do tempo em que podíamos separar os sujeitos bons dos maus?". Díficil encontrar alguém no filme que possa responder a esta pergunta.

Independente das discussões políticas, a produção entretém do começo ao fim. As boas performances dos atores, ícones da beleza masculina americana, só empalidecem frente ao excesso de charme empregado por eles. Chega a ser embaraçoso o que os protagonistas conseguem com um sorriso.

Mesmo assim, Brad Pitt consegue escapar mais uma vez do estigma da beleza burra. Tal como em Os 12 Macacos (com o qual foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante e levou o Globo de Ouro), Clube da Luta e Snatch: Porcos e Diamantes, dá um toque pessoal aos conflitos morais de seu personagem. E Robert Redford não precisava desse papel para provar nada. O Instituto Sundance, que comemora agora 20 anos, é mais que uma boa ação, foi um arejamento essencial da cultura.

Cineweb-19/7/2002

Rodrigo Zavala


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