O Americano Tranqüilo

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Crítica Cineweb

24/02/2003

A adaptação de Phillip Noyce (O Colecionador de Ossos) para O Americano Tranqüilo, livro de Graham Greene já filmado em 1958 por Joseph L. Mankiewicz, não poderia ser mais oportuna nessas semanas que, segundo as promessas do presidente americano George W. Bush, antecedem a guerra contra o Iraque. Bem-dirigido e com belíssimos figurinos femininos, o filme permite um entendimento das políticas americanas com relação a outros países e seus povos.

Um dos mais populares escritores de língua inglesa do século 20, autor de Nosso Homem em Havana (1958), Graham Greene era identificado com a esquerda e mantinha amizade com líderes como Daniel Ortega, da Nicarágua, e o cubano Fidel Castro. O escritor, que sempre manteve uma postura bastante crítica diante do poderio americano, conhecia de perto as operações dos Estados Unidos no Vietnã, pois foi correspondente e agente da inteligência militar britânica, o que o levou, segundo o jornal The Guardian, a ser seguido de perto pelo FBI..

Após nove anos de luta com a França pela independência do Vietnã, o partido comunista conseguiu, através do acordo de Genebra, em 1954, a retirada dos franceses e a previsão de eleições gerais em todo o país. No entanto, os Estados Unidos, que lutavam com todas as armas contra o comunismo, violaram o acordo e instauraram o regime de Ngo Dinh Diem em Saigon, que era armado e orientado pela Casa Branca. Os vietnamitas mais uma vez resistiram e a resposta americana foi o envio de 580 mil homens, em 1969. Durante a Guerra do Vietnã, 70% dos povoados do norte foram arrasados.

O Americano Tranqüilo mostra apenas parte dessa história, tendo como início o ano de 1952, quando vietnamitas comunistas resistiam ao colonialismo francês e controlavam a região norte do país. Ao sul, na capital Saigon, o correspondente do jornal britânico London Times, Thomas Fowler (Michael Caine, um dos mais cotados ao Oscar), vive ao lado de sua bela namorada Phuong (Hai Yen), limitado em apenas relatar o que vê no conflito, mantendo uma cômoda "neutralidade". Sua atitude, no entanto, não é a mesma quando o assunto é Phuong, cobiçada por Alden Pyle (Brendan Fraser), um americano idealista que diz trabalhar no serviço médico.

Ao longo do filme, interesses políticos que darão origem à guerra do Vietnã vão sendo revelados ao mesmo tempo em que Fowler começa a investigar o envolvimento de autoridades americanas em atentados feitos para culpar os comunistas. Quando questionado sobre a maneira prepotente e negligente ao lidar com a vida dos vietnamitas, Pyle diz que eles "agradecerão" no futuro.

Cineweb-28/2/2003

Luara Oliveira


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