Shame

Ficha técnica


País


Sinopse

Brandon Sullivan é um executivo irlandês radicado em Nova York. Bonito e bem-sucedido, ele é obcecado por sexo casual, multiplicando encontros com várias mulheres e algumas prostitutas. Um dia, sua irmã, Sissy, chega para visitá-lo e desencadeia uma série de tensões adormecidas no passado dos dois.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/03/2012

Há uma corporalidade toda peculiar no forte cinema do britânico Steve McQueen, que é também artista plástico e não teve, até aqui, sua obra cinematográfica lançada no Brasil.
 
Isto acontece pela primeira vez com o drama Shame, qaue concorreu ao Leão de Ouro em Veneza 2011 e saiu do festival com o merecido prêmio de melhor ator para o alemão-irlandês Michael Fassbender.
 
É a segunda vez que Fassbender protagoniza um filme de McQueen, a primeira vez sendo no inédito Hunger, em que vivia uma carnalidade de voltagem oposta à de Shame, na pele do líder do IRA, Bobby Sands, que morreu em 1981, numa greve de fome de 66 dias.
 
Em Shame, o entendimento entre ator e diretor e a entrega do intérprete, mais uma vez, são as marcas definidoras para o resultado de um filme visceral. Neste roteiro, assinado por McQueen e Abi Morgan, uma febre carnal devora o protagonista, o executivo Brandon Sullivan. Bonito, bem-sucedido, Brandon é viciado em sexo em série, sem relacionamentos afetivos atrelados. Sua vida é uma coleção de encontros fortuitos, a maior parte deles com prostitutas.
 
A fixação domina seus sentidos. Ele não pode parar de encarar mulheres no metrô, seguindo-as à menor sugestão de que foi correspondido. Seu computador, em casa ou no trabalho, é um canal aberto aos sites de pornografia. Brandon não consegue parar e esse frenesi não parece lhe dar alegria. É um círculo vicioso, que o esgota. Esgotamento é o que ele procura, numa síndrome que sinaliza autodestruição.
 
Essa rotina incessante sofre uma interrupção com a chegada de Sissy (Carey Mulligan), a irmã de Brandon, uma cantora que vem apresentar-se em Nova York, onde ele mora. Sissy invade o apartamento do irmão e subverte a rotina desse espaço milimetricamente calculado. Sua simples presença causa um outro incômodo, trazendo à tona um passado que Brandon não quer particularmente evocar.
 
Como é habitual em seu estilo, McQueen conduz sua história sem explicações prévias – não se sabe qual o passado dos personagens, não se justifica sua psicologia, só se acompanha o desenrolar de seu presente, em seus atritos com outros personagens, em seu estar no mundo. O cinema de McQueen é do aqui e do agora.
 
Nesse modo de filmar, o diretor convida o espectador a contemplar os acontecimentos e se deixar levar. Como na bela sequência em que Sissy canta New York, New York, a famosa canção celebrizada por Frank Sinatra, numa interpretação toda dela. Ou na saída de Brandon com a colega de trabalho, Marianne (Nicole Beharie), que permite saber mais a respeito dele. E uma noitada muito, muito perigosa de Brandon.
 
Verdadeiro, intenso, antenado como poucos no modo de viver urbano e contemporâneo, Shame é um desses filmes que ficam na memória, inscrevendo uma espécie de marca a ferro e fogo na esteira desses personagens tão humanos que são Brandon e Sissy. Que magníficos atores são Michael Fassbender e Carey Mulligan.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 19/03/2012 - 17h11 - Por ABEL NEUSA, SHAME É EXTRAORDINÁRIO NÃO VI O OUTRO FILME DE MACQUEEN HUNGER ESSE FILME É O MELHOR RETRATO DA NOSSA ÉPOCA, EU NUNCA GOSTEI DA CAREY MULLIGAN SEMPRE A ACHEI SUPERESTIMADA MAS NESSE FILME ELA TEM A MELHOR INTERPRETAÇÃO DA CARREIRA DELA E MICHAEL FASSBENDER É UM ARRASO SAI DO CINEMA PENSANDO NO FILME ATÉ HOJE, NÃO SEI O QUE DEU NA ISABELA BOSCOV QUE DISSE QUE SE SENTIU INDIFERENTE AO FILME.
  • 19/03/2012 - 19h22 - Por Neusa Barbosa Concordo com tudo que vc disse, Abel.
    O filme tem tudo o que o bom cinema deve ter, emociona, inquieta, incomoda, arrepia, faz pensar, fica na cabeça, entra na pele...
    Acho o Steve McQueen um dos mais promissores diretores atuais, espero que alguém finalmente lance o filme anterior dele, "Hunger", por aqui, porque merece muito.
    Acho que ele é um grande diretor de atores, também, por isso a história funciona tão bem.
    abraço!!!

    Neusa
  • 19/03/2012 - 19h27 - Por Neusa Barbosa Esqueci só uma observação, Abel: não acho a Carey Mulligan superestimada, não.
    Adoro o trabalho dela, seja em "Educação",seja em "Drive", seja aqui.
    abs
  • 19/04/2012 - 18h27 - Por Paula Filme extraordinário, interpretações memoráveis, trabalho de câmera impecável. Tão perturbador quanto envolvente. Só acho que a crítica em geral (não a do Cineweb) valorizou demais o vício sexual do protagonista. O sexo é apenas um escape. Como bem colocou Neusa Barbosa, é quase uma busca por esgotamento, autodestruição, fuga do mundo e da liberdade que o atormenta. Os personagens estão em busca de si mesmos e embarcam em uma viagem frenética e entorpecedora. Nós, espectadores, embarcamos junto.
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