Kaboom

Ficha técnica


País


Sinopse

Smith acabou de entrar na faculdade, e está descobrindo o mundo e sua sexualidade. Sua melhor amiga se envolveu com uma garota que é uma bruxa – literalmente. Juntos, irão atravessar um período conturbado de descobertas sobre seus corpos e suas vidas – mas tudo pode ser em vão se o mundo explodir.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/06/2012

Nos filmes de Gregg Araki – Geração Maldita, Splendor – Um amor em duas vidas, Mistérios da carne – as descobertas das possibilidades sexuais para os personagens guiam as tramas. São, geralmente, histórias libertárias e divertidamente libertinas, sobre pessoas confusas, em buscas de respostas. Em seu mais recente trabalho, Kaboom, a combinação dessa temática com ficção científica é um tanto inusitada, e continua focada no humor.
 
Isso acontece especialmente porque o diretor, e também roteirista, não se preocupa com a plausibilidade ou a veracidade. É um salto sem rede de proteção que funciona durante a maior parte do tempo exatamente por esse descompromisso com a realidade. Seria claramente possível alguma leitura alegórica sobre a descoberta da sexualidade e suas possibilidades – mas um olhar mais sério sobre o filme vai exatamente no caminho oposto da proposta do diretor.
 
Smith (Thomas Dekker, de A hora do pesadelo) acabou de entrar para a faculdade e sua melhor amiga é Stella (Haley Bennett, de Marley & Eu). Confuso, ele passa noites com London (Juno Temple, de “Desejo e reparação”) e um sujeito (Jason Olive) que conhece na praia de nudismo. E há também outro colega de quarto, Thor (Chris Zylka), que tem o mesmo nome do herói, mas é um surfista meio abobado.
 
A trama ganha elementos de suspense e ficção científica quando ele volta de um show e vê uma ruiva passando mal no jardim. Quando tenta ajudá-la, desmaia e só acorda mais tarde com um pen drive, que, descobre-se, contém um filminho. A partir de então, Kaboom se torna surreal, beirando um David Lynch, mas sem se levar a sério.
Reside aí a força e a fragilidade do filme – é preciso embarcar na falta de lógica e na paródia de Araki. Não se deve esperar explicações. Nada faz muito sentido – embora haja um clímax juntando as pontas – e essa é a graça do filme. O ambiente da faculdade norte-americana é visto por um prisma que dialoga com centenas de filmes do gênero – adolescentes confusos, picardias estudantis –, mas olhando-os pelo viés satírico.
 
As cores estouradas são uma espécie de marca registrada do diretor. Porém, quando numa cena aparecem imagens em preto e branco de Um cão andaluz, de Luis Buñuel, Araki cria um contraste entre o passado e o presente, entre o real e o surreal, e não poderia recorrer a uma referência melhor para ilustrar essa contraposição. 

Alysson Oliveira


Trailer


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