My way - O mito além da música

Ficha técnica


País


Sinopse

Nascido no Egito, filho de um francês e uma italiana, Claude François é treinado para ser violinista. Mas seu sonho é tornar-se músico e cantor popular, o que ele só consegue anos depois, na França - o que leva o pai a romper com ele. Ídolo pop, ele compôs a canção "Comme d'habitude", que se tornou sucesso mundial em sua versão inglesa, "My way", cantada por Frank Sinatra.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/09/2012

O cinema tem na música e seus intérpretes uma fonte frequente de inspiração. Ou mesmo, verdadeiro fascínio. Músicos são sofredores, vencedores, decadentes e viram mitos, a grande matéria-prima que alimenta a paixão dos fãs. Mas nem tudo são belos acordes para os ouvidos do espectador. Com frequência, os diretores desafinam ao abordar o tema e o resultado fica abaixo das expectativas, como acontece em My Way – o mito além da música, a cinebiografia do cantor e compositor pop francês Claude François (Jérémie Renier), autor da canção My Way, celebrizada e eternizada por Frank Sinatra.
 
O diretor Florent-Emilio Siri tem muito para contar, mas se perde no caminho e entrega um dramalhão piegas e longo. Quem for ao cinema à espera de encontrar um trabalho no nível de Piaf, certamente vai se decepcionar.
A partitura da vida de Claude François tem todas as notas que poderiam render um filme regular, com os altos e baixos de um personagem que persegue e conquista o sucesso por mérito próprio, superando obstáculos que pareciam intransponíveis. Mas o que fica em evidência é apenas sua personalidade narcisista e irritante, incapaz de atrair a simpatia do público. Ou talvez suas composições não ajudem muito e pareçam datadas, mais de 50 anos depois.
 
Filho de um rígido cidadão francês (Marc Barbe) casado com uma italiana (Monica Scattini), que desfruta de boa posição social e econômica no Egito dos anos 1950, Claude é criado pelo pai para tornar-se um violinista. E se sai bem como garoto aplicado. Mas no início da vida adulta, ele decide enveredar pela música popular e encontra a total oposição paterna. Seus problemas pessoais se agravarão ainda mais com a chegada de Gamal Abdel Nasser ao poder. Com as ações nacionalistas postas em prática pelo novo regime, com amplo apoio popular, a vida dos estrangeiros fica difícil e a família de Claude é obrigada a abandonar o país.
 
Recomeçando a vida na Europa, onde tem que trabalhar para sobreviver e ajudar no sustento da família empobrecida, Claude passa a encarar seriamente a atividade musical como meio de vida, mas pagará um alto preço: a saída de casa e o desprezo do pai, que rompe relações com o filho. Mesmo livrando-se da opressão paterna, Claude não suporta ser rejeitado e faz de tudo para ser aceito novamente na família. Apenas a mãe e a irmã lhe são solidárias.
 
Sua vida profissional também não anda fácil. Todas as tentativas para gravar um disco são frustradas. Suas composições não atraem o interesse do executivo de uma gravadora, que fatura com o início da febre do rock e lança novos galãs no mercado. Atento à moda, Claude muda seu estilo e acaba conseguindo emplacar a gravação de um disco. É o início do sucesso. Em pouco tempo, torna-se tão popular quanto Johnny Hallyday e terá uma canção gravada por Frank Sinatra: originalmente intitulada Comme d’habitude, tornou-se sucesso mundial na versão em inglês, My Way.
 
O filme acompanha a carreira meteórica do novo ídolo, apelidado de Cloclo, e os problemas decorrentes da fama. Obcecado pelo sucesso a qualquer custo, é extremamente rigoroso com os músicos que o acompanham, envolve-se com as groupies que o assediam e vê seu casamento ruir.
 
O final é trágico, mas poderia ter sido evitado se o acaso não conspirasse contra. Claude não conseguiu realizar seu maior sonho, aproximar-se de seu ídolo, Sinatra, mas eternizou sua existência como o autor de uma canção inesquecível.

Luiz Vita


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