Laurence Anyways

Laurence Anyways

Ficha técnica


País


Sinopse

Laurence é um professor de literatura que a certa altura de sua vida decide se assumir como mulher. Ele explica para sua companheira que não é homossexual, mas quer mudar de sexo e manter a relação dos dois. Ela, claro, não sabe o que fazer.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

29/10/2012

Em sua curta carreira de três longas, o canadense Xavier Dolan nunca conseguiu criar um estilo próprio – embora tenha uma assinatura: imitar o cinema de Wong Kar-Wai, sem, claro, nunca obter os mesmos resultados do cineasta chinês, autor de filmes como Amor à flor da pele e Um beijo roubado.
 
Em seu novo filme – de infindáveis 168 minutos – Dolan flerta também com o cinema de Pedro Almodóvar. Parte da história de Laurence Anyways se passa em 1999. Nesse mesmo ano, o diretor espanhol lançou Tudo sobre minha mãe, no qual um travesti tem um papel central. No filme canadense, a história gira em torno de Laurence (o francês Melvil Poupaud), professor de literatura que a certa altura de sua vida resolve se assumir como mulher.
 
A personalidade do protagonista é complexa: um homem que se veste de mulher e pensa em fazer uma operação para mudança de sexo, embora afirme que não é homossexual. Ele é casado e a pergunta é: como fica sua mulher nessa situação toda? Fred (Suzanne Clément) fica tão confusa quanto ele. Se, num primeiro momento, não aceita as mudanças, com o tempo tenta aprender lidar com o marido até que, mais tarde, joga a toalha de vez.
 
No fundo, Laurence Anyways é a história de amor desencontrada desse casal – que encontra em Suzanne uma intérprete mais vigorosa do que Poupaud. Sua personagem é responsável pelos poucos bons momentos do filme – especialmente numa cena em que confronta uma garçonete.
 
Mas é muito pouco para um filme que, pela duração, tem aspirações de transformar em épica uma história intimista. Dolan vale-se de todos os cacoetes que tornaram seus dois primeiros trabalhos – Eu matei a minha mãe e Amores imaginários – tão desastrosos quanto este: câmera lenta, excesso de condescendência com o protagonista  e afetação estética, que se torna a causa de existência do filme, e não a consequência do trabalho. Ao menos desta vez, o diretor não atua.
 
Poucas vezes o filme encontra alguma humanidade em seus personagens ou situações. É o estranho pelo estranho, apenas. Os personagens peculiares – como um grupo de idosas que acolhem Laurence – existem apenas para serem bizarros dentro do filme, sem qualquer sentido de humano dentro deles. O figurino é tão cheio de cores, roupas esvoaçantes e brilho que mais parece um desfile de uma semana de moda qualquer. Dolan mira em Almodóvar, mas acerta em Priscila, A Rainha do Deserto, porém, sem o charme ou simpatia daquela comédia. Sobram apenas panos voando ao vento.

Alysson Oliveira


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