Mãe e filha

Ficha técnica


País


Sinopse

Fátima saiu de Cococi há anos, radicando-se em Fortaleza. Volta à cidade natal carregando o filho, natimorto, para sepultá-lo. Reencontrando a própria mãe, que espera infinitamente o pai que partiu há muitos anos, a filha entra numa espécie de tempo suspenso - enquanto a mãe se recusa a enterrar o neto morto.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/12/2012

Em seu segundo longa, o cineasta cearense Petrus Cariry (O Grão) mais uma vez potencializa a força dramática e poética de uma história minimalista.
 
Apenas duas personagens estão em cena. Fátima (Juliana Carvalho), jovem mulher que faz a viagem de volta de Fortaleza, onde se radicou há anos, rumo à sua cidadezinha natal, a hoje vila fantasma de Cococi, onde ainda reside sua mãe (Zezita Matos).
 
Na bagagem da filha, algo inusual: o corpinho do filho natimorto, que ela pretende enterrar no lugar onde ela mesma nasceu. A estranheza da missão cresce ainda mais na medida da obsessão de sua mãe, que parece não digerir a ideia de separar-se do neto, de cuja existência acabou de saber.
 
Os dias se passam e a matriarca recusa-se a enterrar o neto, colocado num berço com véus a protegê-lo do sol e dos insetos, como se ainda vivesse. A filha exaspera-se com a perda de contato com a realidade da mãe solitária, que há anos cultiva uma esperança insana sobre a volta do marido, que há muitos anos deixou o lugar.
 
Privada dos recursos que a cidade grande lhe fornecia, a filha gradativamente é sugada por essa atmosfera de irrealidade, num ambiente que parece suspenso no tempo e no espaço, aprisionado numa lógica própria.
 
A aparição de quatro cavaleiros sertanejos, que visitam a casa como presenças habituais, reforça o vínculo com um realismo fantástico que a direção segura de Cariry sustenta, amparado numa montagem precisa (feita por ele mesmo) e num uso eficaz dos sons, que recobrem os longos silêncios, completando-lhes o sentido.

Neusa Barbosa


Trailer


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