Noites de Reis

Ficha técnica


País


Sinopse

Morando em Paraty, a professora Dora tenta superar a perda do filho anos atrás. Sua filha também não sabe como lidar com a morte do irmão. A chegada de seu marido, que sumiu quando o garoto morreu, sacode a rotina e coloca novas questões.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/06/2013

Em Noites de Reis, o diretor carioca Vinicius Reis (Praça Saens Peña) usa a cultura popular como um pano-de-fundo, mas também como um elemento catalizador das transformações pelas quais os personagens devem passar. Os adereços, as músicas e o colorido da festa – que acontece entre final de dezembro e começo de janeiro – envolvem as personagens e, de certa forma, as desperta do torpor no qual mergulharam depois de uma perda.
 
Dora (Bianca Byington) nunca conseguiu superar a morte do filho pequeno num incêndio. Sua filha, Júlia (Raquel Bonfante), tem dificuldades sociais, e acaba se isolando em mergulhos no mar de Paraty, onde moram. A cidade, aliás, é a representação do antigo – o trauma da família – que não desaparece, é a resistência. Quando finalmente elas parecem estar reagindo, a chegada de Jorge (Enrique Diaz, premio de melhor no Festival de Brasília do ano passado) trará consigo as dores da lembrança.
 
Vinicius, que trabalha a partir de um roteiro de Rita Toledo, trabalha com as ambiguidades das situações que são construídas até o limite de explosões, que nunca vem, uma opção que parece combinar com o estado de quase catatonia da protagonista. O trabalho competente do elenco – especialmente Bianca e Díaz – vai ao encontro a ambiguidade de sentimentos dos seus personagens, criando figuras inseguras e fragilizadas, em busca de algo ou alguém que possa as ajudar a se reconstruir.
 
“Encontramos cada coisa sob as pinturas novas”, diz um restaurador (Flavio Bauraqui), por quem Dora se interessa. Essa é exatamente a frase que resume o filme. As camadas acumuladas por Dora, Júlia e Jorge – que mesmo ausente era um espectro presente – são a tentativa de superar o insuperável. A Folia de Reis é o despertar da família, a percepção de que é necessário seguir em frente.

Alysson Oliveira


Trailer


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