Pi

Ficha técnica


País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/03/2003

Os judeus Max Cohen (Sean Gullette) e Lenny Meyer (Ben Shenkman) são obcecados por números. Max, matemático, está convencido de que as cotações da Bolsa de Valores de Wall Street seguem um padrão que, se for capaz de descobrir, poderá precisar com exatidão o comportamento do pregão. Ele não quer solucionar o mistério para manipular os índices. Busca comprovar a teoria apenas como desafio intelectual. Lenny, um religioso ortodoxo, quer encontrar uma combinação de 216 algarismos que correspondem a uma palavra que, em hebraico, traduz o verdadeiro nome de Deus. Naturalmente, quem conseguir pronunciar o nome do Criador, deterá um poder que o distanciará dos simples mortais. Isso na lógica de Lenny e de seus fanáticos seguidores.

O caminho desses dois obcecados personagens vai se cruzar pelas mãos do diretor Darren Aronofsky em seu filme de estréia, lançado em 1998, feito com apenas US$ 20 mil, mas que só agora chega ao Brasil, depois de sucessivos adiamentos. Se Réquiem para um Sonho, o segundo filme do jovem e talentoso diretor, que desembarcou aqui na frente, já era uma obra difícil por sua crua abordagem sobre o mundo das drogas, Pi tem uma missão igualmente ingrata: atrair o espectador para uma história ainda mais árdua, quase uma equação matemática. As imagens são sujas, em preto-e-branco, feitas com uma câmera na mão, e causam desconforto ao espectador.

Por coincidência, Max Cohen vai conviver por algum tempo nas salas de cinema com o também matemático John Forbes Nash , biografado em Uma Mente Brilhante, o grande ganhador do Oscar 2002. Também por obra do acaso, os dois personagens sofrem de alguma forma de desequilibrio mental que parece ser a maldição que, pelo menos no cinema, ronda os apaixonados pela matemática.

Mas as semelhanças param aí. No mundo de Max só existem os números e sua rotina diária consiste em alimentar o computador que ele próprio montou, batizado de Euclides, com as equações que desenvolve para desvendar o mistério do PI, o caracter grego representado por um til sustentado por dois pilares. E ao iniciar sua busca ensandecida, acha que poderá também compreender a natureza, acreditando que ela segue sempre o mesmo princípio da repetição lógica dos números.

O fracasso de Max Cohen é constante e as equações que propõe ao computador chegam a literalmente fritar os chips da máquina, que não consegue passar incólume pelas tarefas encomendadas por seu programador. Max sofre de fortes enxaquecas que o obrigam a consumir doses cada vez mais elevadas de medicamentos.

Casualmente, Max encontra Lenny num café e o interesse do religioso ortodoxo pelas teorias do matemático levam a uma aproximação. Lenny acredita que a fórmula numérica que ambos perseguem é a mesma.

Max também passa a ser assediado por uma misteriosa mulher que se dispõe a fornecer-lhe gratuitamente um super-chip que lhe permitirá concluir suas pesquisas. Mas ele não é capaz de prever que essa ajuda não é isenta de segundas intenções. Lenny também espera obter alguma coisa do matemático e passará a persegui-lo como fazem todos os fanáticos.

Cada vez mais pressionado pelos fracassos e pelo assédio dos que o procuram para tirar proveito de seu trabalho, a Max só resta tentar conectar o próprio cérebro ao computador.

Cineweb-5/3/2002

Luiz Vita


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança