Juan e Evita: uma história de amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Em 1944, um terremoto na cidade de San Juan aproxima o coronel viúvo Juan Domingo Perón e a atriz de rádio Eva Duarte. Segue-se por 18 meses a evolução de um romance que teria importância fundamental na história argentina.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/10/2013

Personagens centrais da história e do imaginário argentino, Juan Domingo Perón e Eva Duarte são focalizados no drama romântico Juan e Evita – Uma História de Amor, de Paula Luque, por um prisma mais pessoal do que político. O título brasileiro, que enfatiza o romance, não faz mais do que reforçar esse tom.
 
Em se tratando de Perón, que foi por três vezes presidente argentino e inspirou um partido com seu nome, a política evidentemente não poderá ser ignorada. Mas a relação do então coronel e vice-presidente Perón (Osmar Núñez) com a atriz radiofônica Eva Duarte (Julieta Diaz) a todo momento vai se infiltrar na sua vida pública. Fora a grande diferença de idade entre os dois – 24 anos -, causa escândalo que não sejam casados, apesar de ela ser solteira e ele viúvo, o que não impede que ela compareça a todos os eventos públicos de que ele participa como primeira-dama real.  
 
Esse enredo de novelão enfraquece aquilo que o filme parece querer dizer a respeito de seus protagonistas. A opção por um enfoque intimista desfavorece especialmente a figura de Evita. Ela apenas aparece como sombra de Perón, longe ainda de assumir o protagonismo que a levou a ser conhecida como a “mãe dos descamisados”, cuja morte aos 33 anos deixou uma nação órfã, transformando-a no mais cultuado mito da história recente da Argentina.
 
A opção da diretora Paula Luque é mostrar Eva como uma mulher apaixonada, disposta a tudo para defender Perón das conspirações no meio militar que causaram seu afastamento dos cargos que exercia e sua prisão – da qual saiu para eleger-se, um ano depois, em 1946, para seu primeiro mandato presidencial, já casado com Eva. Assim fazendo, esvazia a complexidade das personalidades e do contexto político, criando uma aura inegavelmente chapa-branca. 

Neusa Barbosa


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