Clube de Compras Dallas

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando Ron Woodroof descobriu portador do vírus da AIDS, na década de 1980, pouco se sabia sobre a doença. Porém, diante das dificuldades burocráticas e médicas para se conseguir um tratamento, ele encontra uma alternativa, se torna um homem de negócios.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/02/2014

Alguns apelidaram Clube de Compras Dallas de Erin Brockovich – Uma mulher de talento da AIDS, uma referência ao filme de 2000 que rendeu a Julia Roberts um Oscar de melhor atriz. É uma comparação que até certo ponto faz sentido – ambos baseiam-se numa história real, protagonizados por uma pessoa comum que driblou o sistema e promoveu o bem-estar para desconhecidos. Mas aqui o diretor canadense  Jean-Marc Vallée (C.R.A.Z.Y.) não tem a mesma sagacidade ou energia de Steven Soderbergh, ao menos na época do filme de 14 anos atrás.
 
Ainda assim, Clube de Compras Dallas tem bastante a dizer, além de contar com duas performances que realmente merecem ser premiadas. Matthew McConaughey e Jared Leto estão irreconhecíveis – o primeiro, mais magro e frágil, enquanto o segundo, vestido de drag queen. Mas, obviamente, os prêmios não se devem apenas por se transformarem fisicamente. Em suas atuações, os intérpretes parecem capazes de ir a fundo na alma desses personagens, e trazer à tona aquilo que os move. Os dois ganharam o Globo de Ouro, como ator principal e coadjuvante, respectivamente, e são favoritos no Oscar nessas categorias. O longa ainda concorre em outras quatro modalidades – entre elas, melhor filme e roteiro original.
 
McConaughey é Ron Woodroof, eletricista e eventual participante de rodeios, cuja vida toma caminhos inesperados quando é diagnosticado com AIDS, em meados dos anos de 1980, quando a doença era tão mais perigosa e desconhecida, se comparada a hoje. Machão arrogante e cheio de si, vemos o personagem pela primeira vez com duas mulheres nas coxias de um rodeio. Mas esse é apenas o começo de uma jornada.
 
Como “Erin Brockovich”, este é um filme sobre o descaso do Estado, e o cidadão comum tomando as medidas para assegurar seus direitos. O inimigo de Ron – quase até mais que a doença – será o sistema de saúde e seus meandros. Sempre batendo de frente com seus médicos, como a Dra. Eve Saks (Jennifer Garner), o protagonista burla leis, compra AZT roubado (na época, o remédio usado no tratamento).
 
Quando ela muda de lado e se torna uma aliada – também por interesses científicos sobre os efeitos da droga -, os dois percebem que altas doses do remédio podem ser mais prejudiciais do que benéficas no controle. A mudança radical acontece quando Ron cruza a fronteira com o México, onde procura um médico americano expatriado (Griffin Dunne), que lhe sugere uma combinação de outras drogas e uma dieta específica para aumentar a imunidade. 
 
Em pouco tempo, Ron se torna um tipo de traficante, receitando a mesma combinação a pessoas com AIDS – obviamente, ele é o fornecedor das drogas. O negócio é tão lucrativo que, com a ajuda da travesti Rayon (Leto), monta e administra um escritório num quarto de hotel. Logo uma fila gigantesca se forma – uma evidência do vulto que a epidemia estava assumindo naquela época.
 
Também o setor do governo responsável pela fiscalização dos medicamentos está batendo na porta de Ron. E aí que o filme mostra a omissão do Estado que, aliado à indústria farmacêutica, parece mais interessado na burocracia do que na corrida para salvar vidas, sem demonstrar nem ao menos compaixão.
 
Isso tudo, no entanto, está mais nas entrelinhas, pois Vallée, a partir de um roteiro de Craig Borten e Melisa Wallack, está mais interessado no processo de transformação de um indivíduo homofóbico e machista, como Ron, que, ao longo de sua jornada, alia-se àqueles que ele mais desprezava – deixando de lado o momento histórico, e como a trajetória desse homem comum o reflete. Elementos, aliás, que só acrescentariam ao filme.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança