A mulher de preto 2 - O Anjo da Morte

A mulher de preto 2 - O Anjo da Morte

Ficha técnica


País


Sinopse

A professora Eve e a diretora Jean acompanham um grupo de crianças, evacuadas de Londres depois dos bombardeios nazistas, para uma mansão no interior inglês. Novamente, uma entidade maligna começa a manifestar-se por ali.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

26/01/2015

Em 2012, a Hammer teve a reafirmação de seu retorno lançando A Mulher de Preto, primeiro longa estrelado por Daniel Radcliffe após o fim da franquia Harry Potter. A adaptação do livro de 1983 de Susan Hill, cuja versão teatral é uma das mais duradouras na West End londrina, junto com Deixe-me Entrar (2010), remake de um terror sueco, marcaram a volta da produtora de clássicos do gênero – de estilo mais trash originalmente, diga-se de passagem – entre o final da década de 1950 e a de 1970. Agora, ela já chega à sexta produção desta nova fase, justamente com a sequência A Mulher de Preto 2 – Anjo da Morte (2014), dirigida por Tom Harper.
 
A continuação, cuja história foi escrita pela própria Susan Hill e roteirizada por Jon Croker, pula cerca de 40 anos no tempo, indo da era eduardiana para o terror da II Guerra Mundial. Agora, a professora Eve Parkins (Phoebe Fox) e a diretora da escola, Jean Hogg (Helen McCrory), acompanham os alunos refugiados dos bombardeios nazistas em Londres para um abrigo no nordeste da Inglaterra, na agora abandonada Mansão da Enguia do Pântano.
 
Quem assistiu ao primeiro filme deve estar se perguntando: “Levaram esses garotos logo para uma casa assombrada por uma entidade que ataca, exatamente, crianças?”. A resposta é sim e, como dá para perceber, encontraram a desculpa perfeita para fazer mais um longa aproveitando-se da trama e preenchendo-a com uma série de sustos, muitos deles gratuitos – inclusive com aquele básico susto final que é uma deixa para um próximo, quem sabe?!
 
Isso ocorre, principalmente, porque quase nada de novo é apresentado sobre a Mulher de Preto (Leanne Best), seja em seu passado ou seus truques assombrosos. A repetição da descoberta de sua presença na casa e o que se segue após isso, tal como o original, embora elucidativa para os espectadores que não o conhecem, torna tudo menos assustador para os que já o viram.
 
No primeiro, o diretor James Watkins construía uma tensão interessante com, por exemplo, uma sequência sem diálogos de Radcliffe – que não aparece na continuação –, na pele de Arthur Kipps, explorando a casa em seus vários cômodos e brinquedos ingenuamente assustadores, além do plano de fundo com o vilarejo traumatizado por essa espécie de carma coletivo das mortes trágicas de suas crianças. Mas se o lugar agora está praticamente inabitado e a Mulher de Preto se torna quase secundária nesta sequência, Tom Harper, ao menos, consegue, junto ao elenco, trabalhar melhor seus personagens, mais bem construídos no decorrer da trama do que o jovem advogado no original.
 
Além de Eve, cujo sorriso esconde um acontecimento terrível em sua vida, a presença na região do piloto Harry Burnstow (Jeremy Irvine) com seus traumas de guerra transforma os dois em vítimas perfeitas da culpa pelo abandono, que o espírito vingativo de Jannet Humfrye infligia em sua irmã anteriormente. Assim, Edward (Oaklee Pendergast), uma das crianças que ainda está abalado pela recente morte dos pais e que atrai o maior zelo da professora, vira justamente alvo e instrumento das ações da entidade maligna. E a rígida diretora, mesmo sendo um personagem que poderia ser mais desenvolvido, também serve bem como a figura que luta contra o temor da morte em uma época tão difícil.
 
Obviamente, o Anjo da Morte do subtítulo é uma metáfora do maior fantasma da II Guerra Mundial – e de todos os conflitos armados. Este subtexto pode fazer com que uma parcela do público tenha mais apreço por esta sequência, embora os fãs do gênero, provavelmente, preferirão o primeiro. No final, fica sensação de que, nas mãos certas ou com um maior apuro da direção e do roteiro, A Mulher de Preto 2 poderia ser uma obra mais profunda.

Nayara Reynaud


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