Nick Cave: 20.000 Dias na Terra

Nick Cave: 20.000 Dias na Terra

Ficha técnica


País


Sinopse

Documentário acompanha o cotidiano do australiano Nick Cave, revelando o seu processo criativo, trazendo à tona suas paixões, neuras e inspirações.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/02/2015

Se documentários sobre músicos e bandas em geral consistem em registros de shows entrecortados por entrevistas dos biografados, Nick Cave: 20.000 dias na Terra, pelo menos, vai na contramão disso. No entanto, o caminho tomado  pelos diretores Iain Forsyth e Jane Pollard é capaz de firmar uma conexão com alguém mais do que os fãs do cantor/compositor/poeta/mente atormentada?
 
Nick Cave: 20.000 dias na Terra é, enfim, um filme para fãs. Feito com muito bom gosto e tecnicamente bem produzido, o documentário é um “mergulho na mente” de Cave, artista australiano nascido em 1957. Ao longo da produção, em diversos cenários criados pelos diretores, ele comenta sobre sua trajetória e (mais sobre) seu processo criativo. Aí entra outra pergunta: quem quer ver o mágico revelar o truque ao invés de fazer a mágica?
 
Se existe uma mitologia sobre Cave – que morou em São Paulo no começo dos anos de 1990 – ,o filme insiste em salientar, retratando-o como uma pessoa que parece viver em outra dimensão, com suas ideias pouco conectadas, praticamente um artista romântico. Sem supostamente se curvar a qualquer tipo de indústria,  o artista passa o tempo criando sua obra, que também inclui romances e roteiros para cinema, como “Os Infratores” (2012).
 
Ao longo do documentário, vemos Cave em casa, no palco, no estúdio – se, às vezes, sua vida mais parece um comercial de uísque (“Keep walking” seria o slogan), a culpa não é dele. Momentos que mais parecem sonhos colocam em xeque o que é real ou o que é delírio dentro do filme. As idas ao analista, por exemplo. Aquilo realmente é uma sessão de análise? Isso realmente importa?
 
Aparentemente, não. Por mais que se esforce para ser artístico, Nick Cave: 20.000 Dias na Terra não deixa de ser mais uma ferramenta promocional de marketing como tantos outros documentários. Não deixa também de proporcionar uma adulação ao ego de Cave – não por acaso, coautor do roteiro juntamente com os diretores.

Alysson Oliveira


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