Uma Longa Jornada

Uma Longa Jornada

Ficha técnica


País


Sinopse

Sophia está terminando a faculdade e tem em vista um emprego numa galeria de arte em Nova York. Quando conhece um cowboy, cogita mudar seus planos, mas eles não se entendem. Quando resgatam um homem acidentado na estrada, a vida do casal ganha novos rumos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/04/2015

Uma Longa Jornada baseia-se num romance de Nicholas Sparks - essa afirmação já deve resolver metade de um texto relativo a qualquer longa a partindo de romances desse escritor. Mudam-se o nome dos personagens, o cenário, um detalhe aqui e ali, mas independente do diretor, atores ou produtores, os filmes serão sempre os mesmos – basta lembrar os mais famosos, como Um amor para recordar (2002), Diário de uma paixão (2004) e Querido John (2010).
 
Seus livros, e consequentemente os filmes neles baseados, seguem o mesmo modelo de sempre: jovem casal (das dez adaptações cinematográficas, só duas são protagonizadas por casais mais maduros) se apaixona, mas são de classes sociais e/ou nível intelectual diferente, um empecilho e/ou um inimigo atrapalha o romance, eles sofrem por amor, seus entes queridos sofrem juntos, e, no fim, todos aprendem uma valiosa lição, que muitas vezes poderá custar a vida de um dos membros do casal.
 
Uma Longa Jornada, por sua vez, é como se fosse dois longas compactados num só. O primeiro começa com Sophia (Britt Robertson), jovem estudiosa prestes a formar-se que é arrastada a uma prova de montaria por uma amiga que faz questão de deixar claro que não é rodeio, afinal, aqui “não tem apenas homens, mas os homens mais gatos”, segundo ela. Lá a protagonista conhece Luke (Scott Eastwood, filho de Clint, que ainda precisa se esforçar muito, mas muito mesmo para chegar ao mesmo patamar do pai).
 
Encurtando a história, eles se apaixonam, mas são de mundos diferentes – ele precisa ficar alguns segundos em cima do touro mais bravo do mundo e ela tem um estágio previsto numa galeria de arte em Nova York. Depois de muito romance, olhares perdidos e marejados, eles estão na estrada quando encontram um carro acidentado. Lá dentro está Ira (Alan Alda), que quando resgatado pede para a garota pegar uma caixa que também está no carro. Ainda bem que ela consegue fazer isso antes de o veículo pegar fogo por completo.
 
No hospital, já separada de Luke, começa a ler as carta de Ira (nos flashbacks, interpretado por Jack Huston) e sua amada Ruth (Oona Chaplin) – nem entremos na questão de que é crime violar correspondência de terceiros, aparentemente o amor pode tudo! Quando Ira acorda, ela começa a ler as cartas para ele, e a história do casal a leva a pensar na dela com Luke.
 
Este, por sua vez, tem um grande adversário: Rango, um touro, com peso de coadjuvante, que, tempos atrás derrubou Luke, deixando-o em coma, e causando-lhe  problemas no cérebro, mas, claro, ele não se deixa abalar. Sua mãe (Lolita Davidovich) insiste para que ele desista dessa prova, mas ele, é claro, é destemido, arrogante e teimoso – enfim, o combo completo para um herói romântico.
 
Se a arte, ao seu modo, reflete o momento histórico em que foi criada, os filmes baseados em Nicholas Sparks são o equivalente cinematográfico da ascensão do neoconservadorismo nos EUA – e não apenas lá, seu sucesso em muitos países (Brasil incluso na lista) tem a ver com a onda conservadora dos últimos anos. Vê-se aí um mundo pautado por esses valores, habitado por gente linda e loira, sem um fio de cabelo fora do lugar, cujo machismo, por exemplo, é recompensado com fama, a garota dos seus sonhos e uma bolada de dinheiro.

Alysson Oliveira


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