Meu Nome é Joe

Ficha técnica

  • Nome: Meu Nome é Joe
  • Nome Original: My Name is Joe
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Inglaterra
  • Ano de produção: 1998
  • Gênero: Drama
  • Duração: 105 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção:
  • Elenco:

País


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/03/2003

O inglês Ken Loach é um diretor que anda sempre muito perto da realidade e nunca perde de vista a pulsação das ruas. Tem estilo e coragem suficientes para nadar contra a corrente: cria filmes engajados, declara-se socialista depois da queda do Muro de Berlim e nega os benefícios da globalização. Faz um cinema humanista e necessário em tempos obscuros. Nesta fórmula, está contida a essência deste filme, que deu o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes/98 para o escocês Peter Mullan.

Já no depoimento inicial que apresenta o protagonista, o desempregado Joe Kavanaugh (Mullan), transpira o imenso amor que Loach tem por seus personagens ou, em última análise, pelo ser humano. Ex-alcoólatra, 38 anos, Joe sente que a vida está escapando entre seus dedos. Num mundo abalado pelo desemprego e nenhuma perspectiva profissional, ele divide o tempo entre reuniões para ex-drogados, a quem ajuda sendo técnico de um lamentável time de futebol. Uma das cenas mais hilariantes, aliás, pertence a um jogo, ao qual seu time comparece vestido com o uniforme canarinho da seleção brasileira, o que prontamente é qualificado como sacrilégio pelos adversários.

Longe dos campos de várzea, a realidade dessa turma é bem outra. Liam (David McKay) é um ex-viciado que cai de novo nas mãos de um chefão porque sua mulher, Sabine (Annemarie Kennedy, atriz amadora que é faxineira de escola), continua se drogando, sem dinheiro para pagar o que consome. O casal e seu filhinho de 6 anos são os protegidos de Joe, que põe sua pele em risco para não deixar que o traficante os destrua. Um dilema que tem os dois pés na realidade. No elenco do filme, Loach escalou alguns ex-viciados de verdade, Gordon McMurray (no papel de Scragg) e John Hammil (que interpreta o líder de um encontro de Alcoólicos Anônimos).

Este heroísmo de Joe põe em cheque, igualmente, sua única possibilidade presente de uma saída de volta para uma vida normal: seu relacionamento com a enfermeira Sarah (Louise Goodall). Confrontado por ela, Joe emite a fala que define o impasse dos excluídos: "Alguns não podem ir à polícia, ou ao banco. Alguns não têm saída".

Não que o filme de Loach feche o cerco de maneira niilista. Seu cinema é de esperança, mas não de cegueira sobre os enormes desafios que desabam sobre os despossuídos em qualquer latitude e que existem mesmo no Primeiro Mundo, na pátria da terceira via de Tony Blair. Há, em primeiro lugar, o muro da indiferença social, encarnada pelo funcionário do governo, ocupado em flagrar desempregados fazendo bicos escondidos, para não perder o seguro-desemprego - e alvo de uma furiosa e totalmente compreensível reação de Joe, pichando seu carro. É uma cena catártica para muitos públicos. Como Joe, muita gente não agüenta mais ser encurralada por uma burocracia incompetente e insensível.

Neusa Barbosa


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