A comunidade

Ficha técnica


País


Sinopse

Na Dinamarca, dos anos de 1970, um grupo de amigos passam a morar juntos numa casa, compartilhando ideias de utopia. Porém, rixas internas colocam tudo a perder.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

18/08/2016

A comunidade do título do novo filme do dinamarquês Thomas Vinterberg (A Caça, Festa de Família) refere-se a um grupo de pessoas morando juntas numa casa em Copenhagen nos anos de 1970, uma experiência da infância do próprio diretor. O grupo, no entanto, passa longe de ser hippie (afinal, a década de 1960 ficou lá atrás), mas existe um quê de utopia que une essas pessoas, que mal se conhecem, sob o mesmo teto.
 
O contexto da pós-revolução sexual pode sugerir mais liberdade e algo de progressivo e inclusivo. Mas Vinterberg está mais interessado nas contenções dessa experiência, que começa com o casal Erik (Ulrich Thomsen) e Anna (Trine Dyrholm), um professor universitário e uma âncora de televisão, mudando-se para uma grande casa com a filha de 14 anos, Freja (Martha Sofie Wallstrom Hansen). Logo depois também se muda um amigo, Ole (Lars Ranthe), e começam entrevistas para escolher os outros moradores.
 
Nesse momento, Vinterberg, que assina o roteiro com Tobias Lindholm (a partir de uma peça do próprio diretor), abre uma gama de possibilidades com essas figuras, como Mona (Julie Agnete Vang), essa sim uma hippie de verdade. O desenrolar da história, porém, não se aprofunda em nenhum dos coadjuvantes, excetuando quando, às vezes, quer fazer alguma espécie de apelo emocional mostrando o filho pequeno doente de um casal residente.
 
Falar sobre uma experiência típica dos anos de 1960 e 1970 com a vantagem do ponto de vista do século XXI coloca Vinterberg numa posição confortável. Sabemos que esse tipo de experimento social deu errado. Aqui, no entanto, são motivos pessoais que marcam o começo do fim. Erik se envolve com uma aluna, a bela e jovem Emma (Helene Reingaard Neumann), e Anna, basicamente, não segura o tranco. Ela até se esforça, mas logo seu ciúme contamina o ambiente e rompe a frágil harmonia.
 
O contexto político está, convenientemente, ausente em A Comunidade, mesmo quando se refere – quase de relance – a questões como feminismo, movimento contra a guerra do Vietnã e anarquismo. É como se o diretor e seu parceiro no roteiro quisessem fazer tudo de forma leve e evitassem aprofundar qualquer tema mais denso que recaísse sobre a trama.
 
É facilitador também para o diretor e o filme que a derrocada seja causada por assuntos pessoais dos personagens. Ao falar de amor e ciúme, Vinterberg parece evocar uma suposta natureza humana, segundo a qual qualquer experiência desse tipo estaria fadada ao fracasso mais por questões de foro íntimo do que sócio-históricas. Ao fim, ele pode estar dizendo que juntar uma dúzia de pessoas numa mesma casa já é difícil, imagina então unir quase três dezenas de países por um mesmo objetivo. Nesse sentido, o fracasso da experiência comunal do filme mostra porque o Brexit é uma realidade.

Alysson Oliveira


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