O último tango

Ficha técnica

  • Nome: O último tango
  • Nome Original: Un tango más
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Alemanha
  • Ano de produção: 2015
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 85 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Germán Kral
  • Elenco:

País


Sinopse

Por quase 50 anos, María Nieves Rego e Juan Carlos Copes foram a dupla de dançarinos modelo do tango argentino, levando-o aos palcos de diversos países. Por trás da simetria de seus passos no palco, no entanto, escondiam-se os desacertos de uma paixão que afinal terminou em amargura e rancor.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/09/2016

Belissimamente produzido por Wim Wenders, o documentário O último tango, de Germán Kral, recria a mística em torno de uma das mais sensacionais duplas de dançarinos de tango da história da Argentina: María Nieves Rego e Juan Carlos Copes.
 
Contando com a sorte de ter os dois ainda vivos e lúcidos, ela com 81 anos, ele com 84, o filme desenha a história de uma parceria artística que se estendeu por quase 50 anos, entremeada pelas idas e vindas da paixão que temperou, primeiro de fogo, depois de amargura, a trajetória do par.
 
Recorrendo-se a duas duplas de atores para interpretar os dois dançarinos em diferentes etapas da vida, cria-se uma estrutura ficcional que acomoda a reconstituição da época de ouro do tango, entre os anos 1940 e 1950 – embora a aura do ritmo que se confunde com a própria identidade argentina permaneça indelével ao longo do tempo.
 
A própria María é vista conversando com estes atores, recordando os episódios que eles recriam – como seu primeiro encontro com Juan, ela com 14, ele com 17 anos, num salão da periferia de Buenos Aires. Ela acompanhava a irmã, ele ainda não sabia dançar. Como ele mesmo reconhece em uma de suas entrevistas, aprendeu “às custas de pisar nos pés das mulheres”.
 
Ali nascia também o amor que marcou a união destes dois, que alimentava a parceria no palco, a simetria dos passos, a ousadia da coreografia do tango, que Jean tirou dos salões do subúrbio para levá-los às casas do centro da capital argentina e, depois, finalmente, aos EUA, Europa e mesmo ao Japão.
 
Esta ligação amorosa permanece como pano de fundo de um relacionamento que, à medida que os anos passam, envenena-se pelo desejo de controle, o ciúme e o rancor – ainda que, por décadas, nada disto tenha separado a dupla no palco. A própria María admite que, por anos, dançava com Juan “com ódio”. Mas a ruptura, finalmente, não veio dela.
 
Se é visível que os dois nunca dividem a mesma cena hoje – somente em imagens de arquivo que atestam sua incrível perícia e entrosamento -, os detalhes deste rompimento são revelados aos poucos, respeitando tanto o ritmo da narrativa como a resistência de María em falar disso. A delicadeza com que este drama amoroso se desdobra na tela finalmente enriquece a moldura do documentário, que procura pontuar os dois lados, cada um com sua verdade, evidenciando igualmente o machismo da época em que viveram seus melhores anos. 

Neusa Barbosa


Trailer


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